México não vai aceitar políticas de deportação anunciadas por Trump

Ministro dos Negócios Estrangeiros mexicano diz que o país não aceita "porque não é do interesse" do México

O chefe da diplomacia mexicana, Luis Videgaray, disse hoje que o México não vai aceitar disposições que um outro Governo queira impor de forma "unilateral", referindo-se às políticas migratórias anunciadas pelos Estados Unidos.

"Quero deixar claro e de maneira mais enfática que o Governo do México e o povo mexicano não têm de aceitar disposições de maneira unilateral de um Governo que as quer impor a outro", afirmou, num encontro com o Alto-comissário da ONU para dos Direitos Humanos para o México.

A nova política de Trump propõe, por exemplo, que os imigrantes ilegais que tenham entrado nos Estados Unidos pela fronteira sul sejam deportados para o México, mesmo que não sejam mexicanos, segundo a BBC.

O ministro explicou que o México não vai aceitar "porque não tem de o fazer e porque não é do interesse do país".

O Departamento de Segurança Interna norte-americano divulgou terça-feira novas diretivas para a expulsão de imigrantes ilegais, referindo que quase todos os 11 milhões de indocumentados, a grande maioria hispânicos, que residem nos Estados Unidos podem ser potencialmente deportados.

No seguimento do decreto presidencial assinado a 25 de janeiro, o secretário da Segurança Interna também deu luz verde para iniciar os trabalhos para a construção do muro prometido por Trump durante a campanha eleitoral na fronteira entre os Estados Unidos e o México.

Sobre a visita que o secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, inicia hoje ao México, o ministro disse que a questão migratória "será tema fundamental" e o "primeiro ponto na agenda".

A proteção do México aos seus cidadãos no estrangeiro "implica desenvolver uma estratégia de informação sem precedentes para que os mexicanos tenham conhecimento dos seus direitos, saberem lidar com possíveis violações da sua dignidade e dos seus direitos humanos", disse.

O ministro salientou também que o México não hesitará em recorrer às Nações Unidas ou outra qualquer organização internacional para defender os direitos dos mexicanos.

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