Merkel espera poder formar Governo "muito rapidamente"

"A Europa precisa de uma Alemanha forte", defendeu a chanceler perante os representantes regionais do seu partido, a CDU (União Democrata-Cristã)

A chanceler alemã, Angela Merkel, manifestou hoje a vontade de formar Governo "muito rapidamente", dizendo-se aberta a um compromisso com os sociais-democratas, que na sexta-feira aceitaram negociar a formação de um executivo.

"A Europa precisa de uma Alemanha forte [...] é por isso que seria desejável formar muito rapidamente um Governo", sublinhou Merkel num discurso perante representantes regionais do seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), em Kühlungsborn (nordeste).

Dois meses depois das legislativas de 24 de setembro, Angela Merkel não conseguiu chegar a um acordo de coligação com o Partido Liberal (FDP) e os Verdes.

O Partido Social-Democrata (SPD), de Martin Schulz, segundo maior partido da Alemanha a seguir à CDU, recusava até agora reeditar a "grande coligação" com Merkel dos últimos quatro anos, mas na sexta-feira, depois de reuniões com o Presidente, Frank-Walter Steinmeier, aceitou conversar.

As negociações com o SPD devem realizar-se "na base do respeito mútuo", disse Merkel, que já governou em coligação com o SPD por duas vezes, entre 2005 e 2009 e entre 2013 e 2017.

"Naturalmente, o compromisso também é um elemento", acrescentou.

A chanceler reafirmou por outro lado o seu empenho na conclusão de um acordo de coligação, considerando errado avançar para novas eleições.

"Dizer [aos eleitores] que votem outra vez parece-me completamente errado. Recebemos um mandato" dos eleitores, disse.

A CDU de Merkel venceu as legislativas, mas sem maioria, vendo-se forçada a negociar uma coligação.

Com o seu anterior parceiro de Governo, o SPD, a insistir em ficar na oposição, iniciou em outubro conversações com o FDP e com os Verdes.

No domingo passado, contudo, os liberais anunciaram o fracasso das negociações, mas o Presidente afastou a convocação, para já de novas eleições e exortou os partidos a voltar às negociações.

Reunidos hoje e no domingo em congresso em Berlim, os Verdes reiteraram a sua disponibilidade para integrar um Governo de coligação, mas admitiram que é a CDU e o SPD que estão agora na primeira linha.

O líder dos ecologistas, Cem Özdemir, afirmou aos 850 delegados ao congresso que o partido continua preparado para "assumir responsabilidades", "independentemente do que vier -- grande coligação, Governo minoritário ou novas eleições".

Não obstante, disse, a direção do partido considera que o "mais provável" é que acabe por se formar uma coligação entre conservadores e sociais-democratas, caso em que os Verdes assumirão a oposição.

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