Merkel afasta governante que saudou eleição com apoio da extrema-direita

Chanceler alemã afastou secretário de Estado na sequência de umas eleições regionais que estão a causar uma forte polémica na Alemanha.

A chanceler alemã, Angela Merkel, afastou do governo um secretário de Estado que saudou nas redes sociais a controversa eleição de um líder regional que contou com o apoio da extrema-direita.

"A chanceler propôs hoje ao Presidente federal a demissão do secretário de Estado Christian Hirte", informou o porta-voz da chanceler, Steffen Seibert, num breve comunicado.

Christian Hirte, que era até à data secretário de Estado do Ministério da Economia e da Energia e comissário do governo para os estados do leste da Alemanha, é afastado depois de ter elogiado, através de uma mensagem na rede social Twitter, a eleição do novo líder regional do Estado da Turíngia (leste da Alemanha).

A eleição em questão está a gerar uma grande controvérsia na Alemanha, uma vez que a escolha do líder regional só foi possível graças a uma aliança inédita entre os representantes locais da força política de Merkel, a União Democrática Cristã (CDU, conservadores), e os membros locais da Alternativa para a Alemanha (AfD, partido de extrema-direita).

"A chanceler informou-me durante uma reunião que não podia ser mais comissário do governo. A pedido dela, pedi para ser afastado do meu cargo", divulgou, por sua vez, Christian Hirte no Twitter.

Os sociais-democratas do SPD, parceiros de Merkel na atual coligação governamental alemã, já tinham exigido o afastamento de Hirte, argumentando que a continuidade do político "era insustentável".

Merkel: Aliança com a extrema-direita foi um "ato imperdoável"

A votação na Turíngia ocorrida na quarta-feira, que ditou a eleição de Thomas Kemmerich (do partido liberal FDP), quebrou um tabu e provocou um autêntico sismo político na Alemanha.

Foi a primeira vez na História da Alemanha pós II Guerra Mundial que um chefe de um governo regional foi eleito graças aos votos da extrema-direita, bem como foi a primeira vez que fações moderadas e radicais votaram concertadas neste tipo de eleição.

Esta eleição aconteceu após meses de negociações locais infrutíferas para tentar formar uma coligação maioritária depois de um escrutínio regional realizado no outono. Nenhum partido quis governar com a AfD, o que tornou impossível a construção de uma maioria.

Após a controversa eleição, Angela Merkel qualificou como "um ato imperdoável" a aliança eleitoral inédita e o seu partido chegou a exigir a realização de um novo escrutínio.

Os conservadores da CDU admitiram, no entanto, na sexta-feira, que iriam procurar uma solução sem recorrer a novas eleições regionais.

A posição do partido de Merkel surgiu depois de Thomas Kemmerich ter dito que iria dissolver o parlamento regional.

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