Merkel admite: UE é vulnerável perante crise dos refugiados

Onze estrangeiros ficaram feridos em ações de retaliação pelos ataques sexuais em Colónia na noite da passagem de ano

A chefe da diplomacia europeia alertou ontem para o perigo de haver uma utilização política dos ataques sexuais registados na noite da passagem de ano em Colónia, na Renânia do Norte-Vestefália. 516 queixas foram apresentadas, com 40% das vítimas a relatar casos de agressão sexual, indicou entretanto a polícia daquela cidade. A maioria dos suspeitos dessa vaga de violência são estrangeiros, sobretudo requerentes de asilo recém-chegados à Alemanha, disse ontem o ministro do Interior daquele estado, Ralf Jäger. Perante isto, a chanceler alemã veio admitir que a Europa é vulnerável à atual crise dos refugiados.

"Espero que nenhum político ou outra pessoa com responsabilidades institucionais tente instrumentalizar este acontecimento ou misturá-lo com outro tipo de assunto, pois a violência contra as mulheres é uma coisa que existia muito antes de dia 31 de dezembro", afirmou ontem Federica Mogherini, num debate público em Praga, capital da República Checa. A diplomata italiana considerou, porém, que os incidentes de Colónia são algo muito "sério e muito chocante", que "não pode ser desculpado".

"Relatos de testemunhas e da polícia local bem como a investigação da polícia federal indicam que a quase a totalidade das pessoas que cometeram estes crimes são de origem estrangeira", disse Jäger, numa sessão extraordinária do Parlamento regional ontem realizada. O ministro do Interior da Renânia do Norte-Vestefália afirmou ainda que os atacantes em causa faziam parte de um grupo de mais de mil homens "árabes e do Norte de África" que se reuniram junto à estação de comboios de Colónia.

No mesmo dia, o ministro do Interior alemão, Thomas de Maizière, declarou que é preciso endurecer a legislação após o que se passou na cidade de Colónia. "Nesta questão não nos podemos permitir longas discussões", declarou, num discurso no dia anual da Federação Alemã de Funcionários Públicos, realizado precisamente em Colónia.

Apesar de não haver acusados, o presumível envolvimento de refugiados naqueles ataques veio relançar o debate sobre a real capacidade de a Alemanha integrar os 1,1 milhões de estrangeiros que chegaram ao seu território em 2015. E aumentar a pressão sobre a chanceler democrata-cristã, que defendeu uma política de portas abertas para refugiados e migrantes, pedindo aos alemães que não se deixem dividir sobre o assunto. Nomeadamente por movimentos xenófobos e de extrema-direita que têm vindo a ganhar um novo fôlego naquela que é a maior economia da UE.

"Agora, subitamente, estamos a enfrentar o desafio da vinda dos refugiados para a Europa e somos vulneráveis, como podemos ver, porque ainda não temos a ordem, o controlo que gostaríamos de ter", declarou ontem a governante, num evento sobre negócios realizado na cidade de Mainz, no estado federado da Renânia-Palatinado.

Apesar dos apelos à calma, já há registo de ataques contra migrantes na Alemanha, os quais, diz a polícia, foram coordenados pelas redes sociais a partir de apelos de apoiantes da extrema-direita. Há notícia de pelo menos 11 estrangeiros (paquistaneses, guineenses e sírios) que ficaram feridos em ataques de retaliação realizados por hooligans no domingo em Colónia. Mediante isto, o Papa Francisco pediu ontem que a atual vaga migratória não deve impedir a Europa de continuar a ser aquilo que sempre foi: "Um farol de humanidade."

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