Médico legista defende tese de homicídio de Jeffrey Epstein

Multimilionário americano foi encontrado morto a 10 de agosto na cela. Estava detido e acusado de tráfico e abuso sexual entre outros clubes ocorridos entre 2002 e 2005.

Um patologista forense contratado pelo irmão de Jeffrey Epstein garante que, apesar de não haver evidências determinantes que permitam concluir definitivamente que Epstein não morreu por suicídio, os exames que realizou apontam para a possibilidade de ele ter sido assassinado. "Penso que as evidências apontam para homicídio e não suicídio", concluiu o médico sobre a morte do multimilionário que guardava julgamento por acusações de tráfico sexual.

"As três fraturas [encontradas na zona do pescoço] são extremamente incomuns em enforcamentos suicidas e podem ocorrer muito mais frequentemente em estrangulamentos homicidas", disse Michael Baden, ex-médico legista de Nova Iorque, à Fox News, apontando que Epstein teve uma fratura à esquerda e outra à direita da laringe, mais uma acima da maçã-de-Adão. "Em 50 anos nunca vi ocorrer [tais lesões] num caso de enforcamento suicida", acrescentou o médico que já examinou mais de 20 mil corpos e realizou a série Autópsia da HBO.

As descobertas de Baden foram contestadas pela médica legista da cidade, Barbara Sampson, que determinou a morte de Epstein a 10 de agosto no Centro Correcional Metropolitano como um suicídio. "Eu mantenho firmemente a causa e o modo da morte neste caso", afimrou Sampson, defendendo que "em geral, fraturas do osso hióide e da cartilagem podem ser vistas em suicídios e homicídios".

Aumentam assim as teorias da conspiração sobre a morte de Epstein. O caso tem dado origem a várias teorias e nos EUA crescem as teses de que havia muita gente interessada em calar o predador com o objetivo de impedir que ele revelasse pormenores das festas sexuais que eram frequentadas pelos seus amigos ricos e poderosos - entre eles, o atual presidente dos EUA, Donald Trump, e o antigo presidente Bill Clinton, mas também elementos da família real britânica. Seria a explicação para Epstein estar na cela sem vigilância, depois de já ter tentado colocar termo à vida por uma vez.

Epstein já tinha sido acusado e condenado por crimes sexuais em 2008 na Florida, tendo-se valido do estatuto financeiro, bem como dos conhecimentos ao mais alto nível na sociedade americana, para obter um acordo judicial, depois de ser acusado por algumas adolescentes de abuso sexual na sua mansão em Palm Beach. Passou 13 meses em prisão, mas foi autorizado a sair por 12 horas por dia, seis dias por semana.

Em julho, foi novamente detido pelas autoridades federais no aeroporto de Teterboro, em Nova Jersey sob acusação de tráfico sexual entre 2002 e 2005. Ele foi acusado de atrair inúmeras mulheres menores de idade para as suas casas na cidade de Nova York e na Flórida e depois obrigá-las a praticar sexo por dinheiro. Foi encontrado morto na sua cela no dia 10 de agosto.

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