Mauro Morandi, o italiano que já vivia em isolamento muito antes do covid-19

Vive há 30 anos sozinho na ilha italiana de Budelli e aconselha todos os que agora têm de ficar em isolamento a aproveitar o tempo para pensar ou ler.

Mauro Morandi, 81 anos, mora sozinho numa ilha. Há 30 anos que vive isolado do mundo e que aceitou o desafio do isolamento. A diferença para quem agora está destinado à quarentena para evitar a propagação do covid-19 é que a sua janela tem vista para o Mar Mediterrâneo e tem espaço, muito espaço para si e para os seus pensamentos.

Deu com a ilha de Budelli, na costa da Sardenha, Itália, um pouco como Pedro Álvares Cabral deu com o Brasil, em 1500, quando se propôs a ir por mar à Índia. Mauro Morandi, ex-professor, pretendia chegar à Polinésia. Mas já não conseguiu deixar as águas cristalinas, o sol e a areia de Budelli.

Mora numa casa de pedra improvisada, no meio da natureza. Conversar só com os pássaros. Mesmo assim continua a acompanhar as notícias do seu país e do mundo e, na situação atual, cresce a vontade de partilhar os conselhos de quem há muito vive sozinho "no lugar mais seguro da Terra", diz à CNN Travel.

Desde que o surto do novo coronavírus chegou a Itália pouco mudou na vida do Morandi. Só a comida demora mais tempo a chegar e cresce a preocupação com os familiares que continuam a viver nas cidades italianas, agora também eles isolamento, mas por obrigação.

Itália é neste momento o país que mais aumenta por dia o número de casos de covid-19 confirmados. Já tem 53 578 cidadãos infetados e 6 072 curados. Por causa deste vírus já morreram 4 825 pessoas, mais mil do que na China, o país onde surgiu o surto no final do ano passado.

Para todos aqueles que estejam em isolamento, o italiano aconselha a verem este momento como uma oportunidade para refletir, em vez de se sentirem frustrados. "Eu passo todo o inverno fechado em casa, durante meses nem sequer posso andar pela ilha. Em vez disso tento passar mais tempo na varanda. Porque é que as pessoas não podem aguentar em casa durante duas semanas? Isso é um absurdo", diz em declarações ao canal norte-americano.

Para passar o tempo, o octogenário lê muito. "Eu leio e penso muito. Acho que as pessoas têm medo de ler porque se o fizerem começarão a pensar nas coisas e isso pode ser perigoso", refere e pede a todos que experimentem a fazer o mesmo.

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