Matteo Salvini pode ir a julgamento por sequestro de refugiados

"Abusou de seus poderes, violando as convenções internacionais e privando os 174 migrantes a bordo de liberdade", acusa tribunal de Catania. Mas é preciso autorização do Senado para prosseguir para julgamento

Um Tribunal de Catania solicitou autorização para prosseguir com a acusação a Matteo Salvini pelo crime de sequestro no caso do navio Diciotti que transportava refugiados. O vice-primeiro-ministro italiano pode assim vir a ser julgado por impedir que 174 refugiados desembarcassem em Itália mas, para tal, é necessária a autorização do Senado italiano.

Em agosto, procuradores da Sicília colocaram Matteo Salvini, líder do partido de extrema-direita Liga Norte, sob investigação pelo alegado sequestro e detenção de 174 migrantes que impediu de desembarcar do navio italiano Ubaldo Diciotti.

O navio havia atracado por seis dias no porto siciliano de Catania, enquanto Salvini mantinha um impasse com a UE na tentativa de pressionar outros países membros a acolher os migrantes. A Igreja Católica, a Irlanda e a Albânia, que não é um estado da UE, acabaram por concordar em receber os imigrantes, na sua maioria da Eritreia.

"Posso enfrentar até 15 anos de prisão porque parei o desembarque de ilegais na Itália", reagiu Salvini no Facebook."Estou sem palavras. Estou com medo? De modo nenhum. Não vou desistir. Agora a decisão passará pelo Senado. Vamos ver como vai ser", acrescentou o também ministro do Interior.

Como Salvini é um ministro do governo, as acusações têm de ser apresentadas aos senadores, que deverão votar para que seja julgado ou para que o processo seja suspenso. Salvini disse estar confiante de que tinha o apoio dos senadores da Liga Norte. Mas o apoio de seus parceiros de coligação, o Movimento Cinco Estrelas, está menos garantido. Um dos princípios fundadores do movimento foi pedir sempre a renúncia de políticos sob investigação. Até ao ano passado, esse princípio estava inscrito nos estatutos como tentativa do partido de apresentar uma imagem limpa e distante da corrupção.

Mas hoje, enquanto se conhecia a decisão do tribunal de Catania, no Facebook, Luigi Di Maio, líder do 5 Estrelas, escreveu no Facebook: "O Ong Sea Watch, que está navegando para a Sicília, terá do governo italiano, se precisar, assistência médica e de saúde, após o que deve apontar a proa para Marselha e levar as pessoas a sair em solo francês, em vez de esperar em vão durante dias em águas italianas ".

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