Manolis Glezos. Morreu o grego que tirou a bandeira nazi da Acrópole

Herói da resistência grega contra os nazis tinha 97 anos.

Manolis Glezos tinha apenas 18 anos quando, a 30 de maio de 1941, ele e o amigo Apostolos Santas decidiram subir à Acrópole a meio da noite para tirar a bandeira com a suástica que os nazis haviam colocado na Acrópole, junto ao Parténon, durante a ocupação da Grécia. Foi nessa noite que o estudante ganhou a aura de herói da resistência grega que o acompanharia até à morte, esta segunda-feira, aos 97 anos.

O herói de guerra estava já hospitalizado desde o início do mês devido a uma gastroenterite e uma infeção urinária, tendo acabado por não resistir a uma paragem cardíaca, anunciou a televisão estatal grega ERT. Em novembro, Glezos já tinha estado no hospital devido a problemas respiratórios.

Depois daquela noite de 1941, os nazis depressa condenaram à morte os responsáveis por retirar a bandeira da Acrópole. À revelia. E se Glezos e Santas acabaram mesmo por ser detidos pelos ocupantes em março de 1942, por outras atividades ligadas à resistência, acabaram por ser libertados um mês depois, uma vez que os nazis desconheciam a identidade de quem tinha retirado a bandeira. Apostolos Santas morreu em 2011.

"Hitler disse num discurso que a Europa é livre. Quisemos mostrar-lhe que a luta estava apenas a começar", afirmou Glezos à AFP em 2011 numa entrevista em que recordou como roubou a bandeira com o amigo. E lamentou que depois da guerra a Grécia tenha "conquistado a a sua liberdade mas não a sua independência", numa referência à dependência do país de credores estrangeiros durante a crise.

Terminada a II Guerra Mundial, Glezos foi eleito várias vezes para o Parlamento grego, com apoio dos comunistas, dos socialistas e de outros partidos da esquerda, tendo servido como deputado durante mais de seis décadas.

Em 2014, Glezos foi eleito para o Parlamento Europeu pelo Syryza, o partido de esquerda radical do então primeiro-ministro Alexis Tsipras, tornando-se no mais velho eurodeputado, aos 91 anos.

Apesar desse apoio, durante auge da crise económica grega, Glezos não hesitou em criticar as medidas de austeridade extremas impostas pelo governo, por pressão da União Europeia e do FMI, tendo feito campanha para obrigar a Alemanha a pagar à Grécia indemnizações de guerra. Um dinheiro que queria ver usado para pagar os empréstimos internacionais que o país teve de fazer.

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