"Manifesto da esperança" de Corbyn: nacionalizações e semana de trabalho de quatro dias

O líder do Labour apresentou em Birmingham o manifesto para as eleições de 12 de dezembro.

O líder do Labour, Jeremy Corbyn, apresentou o seu "manifesto da esperança" esta quinta-feira em Birmingham, prometendo nacionalizações, semanas de trabalho de quatro dias, mais moradias sociais e a criação de um milhão de empregos verdes para enfrentar as alterações climáticas.

"Este é um manifesto de esperança. Um manifesto que trará verdadeira mudança. Um manifesto cheio de políticas populares que o establishment político bloqueou por uma geração", disse Corbyn, apresentando o documento de 107 páginas intitulado "É tempo de uma verdadeira mudança".

"Nas próximas três semanas, as mais poderosas pessoas no Reino Unido e os seus apoiantes vão dizer-vos que tudo neste manifesto é impossível. Que é muito para vocês. Porque eles não querem uma mudança. Porque quereriam? O sistema está a trabalhar perfeitamente para eles. Está moldado a favor deles. Mas não está a funcionar para vocês", defendeu Corbyn.

"Se os vossos ordenados nunca parecem subir e os vossos impostos nunca parecem descer então não está a funcionar para vocês", disse o líder do Labour, explicando que é por isso que muitos britânicos deixaram de se interessar por política. Mas, prometeu, "este manifesto é diferente".

Labour lembra que um terço dos milionários britânicos doaram dinheiro para o Partido Conservador. "Os milionários e os super ricos, os que fogem aos impostos, os maus patrões e os grandes poluidores -- são eles os donos do Partido Conservador", alegou, deixando claro que não são eles que são donos do Labour. "O povo é o dono do Partido Trabalhista."

Corbyn alegou que só o seu partido pode desafiar o status quo, lutar pelas pessoas "comuns" contra os "banqueiros, milionários e o establishment". Uma versão do seu lema do manifesto de 2017: "For the many, not the few" (para todos, não só para alguns).

O manifesto de 2019 de Corbyn inclui acabar com as propinas universitárias, reduzir a semana de trabalho para as 32 horas no espaço de uma década e um salário mínimo de dez libras por hora, assim como várias nacionalizações -- desde os comboios, aos correios, passando pelas águas e energia. Está ainda prevista uma nacionalização parcial da BT, de telecomunicações, com a promessa de oferecer banda larga grátis para todos.

O programa eleitoral inclui ainda a promessa de construção de 150 mil casas para os mais necessitados, no maior projeto de construção de moradias sociais desde a II Guerra Mundial. Um projeto que custará 75 mil milhões de libras ao longo de cinco anos, segundo as contas do Labour.

A implementação destas políticas implica um aumento de impostos para apenas 5% dos contribuintes, segundo o líder do Labour. "Não há aumento para 95% dos contribuintes", afirmou, prometendo uma taxa para os super-ricos e uma taxa em ganhos de capital e dividendos.

Corbyn defendeu que o voto das pessoas pode ser "mais poderoso do que toda a riqueza do mundo".

Atrás nas sondagens, Corbyn espera que a sua mensagem de mudança cale aqueles que criticam a sua posição sobre o Brexit. Até dentro do seu partido há dúvidas sobre qual é essa posição, que não tem a clareza da de Boris Johnson: "garantir o Brexit".

O Labour quer o Brexit em seis meses, dizendo que não vai "rasgar a nossa principal relação comercial", prometendo depois voltar a dar a palavra aos britânicos, num referendo com a opção de o Reino Unido poder continuar a fazer parte da União Europeia.

Os Tories responderam pouco depois: "A publicação do manifesto do Labour confirma o que já sabíamos: Jeremy Corbyn não tem um plano para o Brexit", disse o secretário de Estado Brandon Lewis.

Sobre o Brexit, Corbyn disse ainda que Boris Johnson está a tentar "raptar" o Brexit e vender o sistema nacional de saúde, repetindo as acusações que fez no debate de terça-feira de que haverá "negociações secretas" com os EUA para a privatização dos serviços. "O nosso sistema de saúde não está à venda."

O manifesto do Labour inclui ainda um plano verde, que será pago por um imposto sobre as empresas petrolíferas. Serão ainda criados um milhão de empregos verdes como parte da revolução verde, desde a construção de turbinas de vento à reflorestação.

"Ignorem os ricos e poderosos que dizem que isso não é possível. O futuro é nosso, juntos. Como o escritor chileno Pablo Neruda escreveu lindamente: 'Podes cortar todas as flores, mas não podes impedir a primavera.' Votem neste manifesto da esperança. É tempo de uma verdadeira mudança", reiterou.

"Podes cortar todas as flores, mas não podes impedir a primavera"

Corbyn espera evitar comparações com a mais infame tentativa de vender um futuro socialista aos britânicos -- o manifesto de 1983, descrito depois por um deputado do Labour como "a mais longa nota de suicídio da história", que levou a uma pesada derrota dos trabalhistas.

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