Manifestantes espancam e enforcam homem numa praça de Bagdad

Um atirador foi esta quinta-feira desarmado e enforcado por manifestantes antigovernamentais após ter morto a tiro seis pessoas numa praça central de Bagdad.

O incidente foi condenado pelo movimento de protesto que se concentra na praça Tahrir, o epicentro do movimento, ao referir que os indivíduos que mataram o homem armado não integram as suas manifestações pacíficas.

Os responsáveis oficiais referiram que o atirador, procurado por suspeitas de tráfico de droga, estava a ser perseguido por agentes policiais quando disparou por diversas vezes, provocando a morte de dois comerciantes e ainda de quatro manifestantes perto da praça Wathba em Bagdad.

Alguns manifestantes manietaram o homem e desarmaram-no. Depois espancaram-no e dependuraram-no num posto de sinalização de trânsito.

O influente clérigo xiita Muqtada al-Sadr referiu de seguida que caso não fossem identificados os autores desta execução pública, ordenaria à sua milícia, Saraya Salam, que abandonasse a praça.

Os membros do Sarai Salam (Brigadas da Paz) foram enviadas para a praça com o objetivo de proteger os manifestantes. Na praça, são identificados de "bonés azuis".

Pelo menos oito pessoas ficaram feridas, acrescentaram os mesmos responsáveis, que se pronunciaram sob anonimato.

Os manifestantes da praça Tahrir emitiram uma declaração coletiva numa tentativa de demarcarem este violento incidente dos objetivos pacíficos dos seus protestos.

"Não podemos permitir que a imagem da nossa pura revolução seja distorcida, e desta forma declaramos que somos manifestantes pacíficos face ao que sucedeu esta manhã na praça Wathba", indica o manifesto.

A praça Wathba situa-se perto da praça Tahrir, o epicentro do movimento de protesto, e tem sido palco de recentes violências. Pelo menos 31 manifestantes forma mortos na quarta-feira, quando forças de segurança dispararam gás lacrimogéneo para tentar dispersá-los do local.

O incidente de hoje ocorreu após diversas ações violentas perpetradas por grupos desconhecidos e que colocaram os manifestantes numa situação de grande fragilidade, e comprovaram a ineficácia das forças de segurança em evitar esses ataques.

Na passada sexta-feira, 25 manifestantes foram mortos quando homens armados transportados em carrinhas de caixa aberta dispararam balas reais na praça Khilani. O incidente ocorreu em paralelo com misteriosos atentados com facas e diversos raptos na praça Tahrir dirigidos aos manifestantes, que acusam milícias pró-iranianas por estes ataques.

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