Manafort pediu desculpas, mas foi condenado a mais 43 meses de prisão

Ex-diretor de campanha de Trump já tinha sido condenado na semana passada a 47 meses de prisão por crimes fiscais. No total ficará 90 meses, ou sete anos e meio, atrás das grades. E enfrenta mais outro processo, em Nova Iorque, pelo qual Trump não o poderá perdoar.

O ex-diretor de campanha de Donald Trump, Paul Manafort, pediu desculpa pelos seus crimes e clemência à juíza, antes de conhecer mais uma sentença. Menos de uma semana depois de ter sido condenado a 47 meses de prisão por crimes fiscais, desta vez foi condenado a mais 43 meses por conspiração. Arriscava dez anos de prisão.

Manafort foi considerado culpado de dois crimes de conspiração, que tinha admitido em tribunal: conspiração contra os EUA, por não se ter registado como lóbista estrangeiro (a favor de um partido político ucraniano pró-russo); e conspiração para obstruir a justiça, por tentativa de manipulação de testemunhas.

A juíza Amy Berman Jackson condenou Manafort a 73 meses de prisão: 60 meses no caso do primeiro crime, sendo que 30 meses serão cumpridos em paralelo com a sentença anterior. No segundo crime, é condenado a 13 meses, que cumprirá em paralelo com as outras duas sentenças. No total, Manafort vai cumprir 90 meses de prisão, equivalente a sete anos e meio de prisão, tendo já cumprido nove meses -- pelo que lhe restam 81 pela frente.

A juíza concluiu no mês passado que Manafort violou o acordo de cooperação com o procurador-especial Robert Mueller, que está a investigar a alegada interferência russa nas eleições presidenciais de 2016 e o suposto conluio da campanha de Trump. Este processo não está contudo diretamente relacionado com essa investigação, que ainda está a decorrer.

Pouco tempo depois de ser conhecida a sentença, Manafort recebeu outra acusação: desta vez por 16 crimes referentes a fraude na hipoteca, em Nova Iorque. A acusação foi anunciada pelo procurador de Manhattan, Cyrus R. Vance, para garantir que Manafort cumpra tempo de prisão mesmo se receber um perdão de Trump no que diz respeito aos crimes federais a que já foi condenado. No caso de crimes estaduais, Trump não pode perdoar ou reduzir a pena do seu ex-diretor de campanha.

Apesar de Trump nunca ter dito que perdoaria os crimes de Manafort, o presidente norte-americano referiu várias vezes que tem esse poder e defendeu o ex-diretor de campanha em inúmeras ocasiões.

Manafort pediu desculpas

Antes de conhecer a sentença, Manafort (que chegou a tribunal de Washington de cadeira de rodas, vestido com um uniforme prisional) disse à juíza que as acusações já tiraram tudo o que tinha, pedindo que esta não decretasse uma pena superior à de quatro anos que já foi condenada. "Peço desculpa pelo que fiz e por todas as atividades que me trouxeram hoje aqui", disse Manafort, lendo uma declaração escrita. "Apesar de não poder reescrever o passado, vou garantir que o futuro será muito diferente", acrescentou o ex-diretor de campanha de Trump, de 69 anos.

A juíza disse contudo que as mentiras de Manafort não podem ser ignoradas, já que "o tribunal é um daqueles locais onde os factos ainda importam", indicou. "Pedir desculpa por ter sido apanhado não é inspirador para pedir clemência", acrescentou, segundo os relatos dos jornalistas que acompanham a leitura da sentença.

Além disso, recusou a ideia de que Manafort esteja "na solitária", lembrando que eles está numa cela individual e que não há, na prisão de Alexandria onde está detido, qualquer documento médico em relação ao seu estado de saúde -- pondo em dúvida a existência de tais problemas. Manafort está numa cadeira de rodas há vários meses, por "problemas de saúde significativos", segundo indicou em outubro o advogado.

Primeira sentença

Manafort já tinha sido condenado, na semana passada, a 47 meses de prisão por um tribunal de Alexandria, na Virgínia, depois de ser considerado culpado por oito crimes fiscais: cinco de evasão fiscal, dois de fraude bancária e um por ter ocultado uma conta bancária no estrangeiro. Manafort ocultou milhões de dólares ao fisco norte-americano de rendimentos obtidos por serviços de assessoria a políticos apoiados por Moscovo na Ucrânia.

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