Mais um doente. Adensa-se mistério das embaixadas em Havana

O Canadá decidiu reduzir para metade o número de diplomatas em Cuba depois de mais uma pessoa ter adoecido. Um total de 14 canadianos sofreram sintomas misteriosos desde 2017.

A equipe diplomática do Canadá em Cuba vai ser reduzida de 16 para oito. "Uma redução adicional na presença [da embaixada canadiana] é considerada a resposta adequada", disse um funcionário do governo canadiano aos jornalistas. "Acho que posso dizer com segurança que as autoridades cubanas estão tão frustradas quanto nós por não conseguirmos chegar mais perto de encontrar a causa", completou.

O incidente de novembro foi o primeiro novo caso canadiano em meses, tendo levado à decisão de reduzir os funcionários restantes. Familiares dos diplomatas já tinham regressado a casa no ano passado. Diplomatas canadianos e norte-americanos em Havana começaram a queixar-se de tonturas, dores de cabeça e náuseas na primavera de 2017. Os Estados Unidos reduziram o número de funcionários da embaixada em Cuba de mais de 50 para um máximo de 18, após mais de duas dúzias de funcionários terem sido vítimas de doenças incomuns.

O departamento de Estado norte-americano queixou-se de "ataque sónico". Há três semanas, especialistas das universidades de Berkeley (EUA) e de Lincoln (Reino Unido) concluíram que o som não era mais do que o emitido pelos grilos de cauda curta.

Cubanos lamentam

A embaixadora cubana no Canadá, Josefina Vidal, considerou a decisão de Otava "incompreensível" porque não ajuda a resolver o mistério dos incidentes de saúde e prejudica as relações bilaterais. Além disso, a medida "favorece aqueles que nos Estados Unidos usam a questão para atacar e denegrir Cuba", disse Vidal em comunicado.

O governo cubano tem estado a colaborar com uma investigação canadiana sobre a causa das doenças. No comunicado de Otava é realçada a "cooperação próxima" com as autoridades cubanas.

Cuba está empenhada em manter boas relações com o Canadá, escreveu ainda a embaixadora. O Canadá nunca cortou relações com Cuba após a revolução comunista que depôs o ditador Fulgencio Batista, em 1959.

Mais de um milhão de canadianos visitaram a ilha das Caraíbas no ano passado, fazendo do Canadá o mais importante mercado turístico de Cuba. O Canadá também está entre os 10 principais parceiros comerciais de Cuba e é a única nessa lista na qual Havana tem uma balança comercial favorável.

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