Mais de 70 membros do partido no poder passam para a oposição

Entre os deputados encontra-se um luso-descente, que reconhece "sinais de ditadura" na Venezuela e por isso decidiu "não voltar as costas ao povo"

Mais de 70 membros do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, o partido do Governo), incluindo o deputado luso-descendente João da Silva, abandonaram hoje aquele organismo para passar a militar na organização política da oposição Aliança Bravo Povo.

O luso-venezuelano explicou aos jornalistas que tomou a decisão "depois de refletir" sobre a situação na Venezuela e sobre o estado de escassez generalizada, "pois não é segredo para ninguém que o povo está a passar fome, que não se conseguem alimentos nem medicamentos".

"Vemos um poder judicial (...) ajoelhado ao executivo nacional. Isso são sinais de ditadura, por isso decidimos não voltar as costas ao povo (...) Por isso tiro a camisa vermelha (cor do partido do Governo), por uma Venezuela livre e democrática", disse João da Silva durante uma conferência de imprensa, em Caracas.

João da Silva fez um apelo ao Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, para que "reflita e aceda ao referendo revogatório", solicitado pela oposição para determinar se deve ou não continuar a gerir os destinos do país.

Por outro lado o deputado e presidente do partido Aliança Bravo Povo (ABP), Richard Blanco, deu as boas-vindas ao luso-descendente sublinhando que o recebia "com muito respeito".

"Chegou a hora da reconciliação, por isso dizemos-te, João, que podes participar na nossa organização como interlocutor válido da necessidade do povo", disse.

O presidente de ABP convidou o luso-descendente a acompanhar "a luta pela democracia, pelos valores e princípios que a integram, na defesa dos presos políticos e na igualdade de oportunidades".

Além disso sublinhou que a ABP "acredita no diálogo, mas num diálogo verdadeiro que passa pela libertação dos presos políticos" e pediu ao Presidente Nicolás Maduro que, se quer dialogar com a oposição, "respeite a Assembleia Nacional (com maioria da oposição), aceite o referendo revogatório, ajuste o seu Governo ao que estabelece a Constituição e respeite a dissidência".

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