Lula da Silva diz que renúncia de Evo Morales é um "golpe de Estado"

O ex-presidente do Brasil usou as redes sociais para condenar aquilo que considera ser um "golpe de Estado" na Bolívia. O mesmo fez Cuba e Venezuela.

A renúncia de Evo Morares como presidente da Bolívia é um "golpe de Estado", considerou Lula da Silva, que na sexta-feira saiu da prisão depois de uma decisão do Supremo Tribunal Federal. Pelo Twitter, o ex-presidente brasileiro criticou a elite económica da América Latina de não saber conviver com a inclusão dos mais pobres.

"Acabo de saber que houve um golpe de Estado na Bolívia e que o companheiro Evo Morales foi obrigado a renunciar. É lamentável que a América Latina tenha uma elite económica que não saiba conviver com a democracia e com a inclusão social dos mais pobres", afirmou Lula da Silva na rede social.

Após a renúncia de Morales, que tinha sido reeleito há três semanas, o governo cubano também fez saber que condena "veementemente" "o golpe de Estado na Bolívia".

Cuba, aliada tradicional do líder socialista, expressa a sua "solidariedade com o irmão presidente Evo Morales, protagonista e símbolo da reivindicação dos povos indígenas das nossas Américas", afirmou o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodriguez, no Twitter, pedindo a "mobilização mundial pela vida e a liberdade de Evo".

Também o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, condenou "categoricamente" o "golpe de Estado" na Bolívia.

"Condenamos categoricamente o golpe de Estado contra o presidente Evo Morales", escreveu Nicolas Maduro na rede social Twitter, pedindo "mobilização para exigir a preservação da vida dos povos indígenas bolivianos, vítimas de racismo".

Também o secretário dos Negócios Estrangeiros do México, Marcelo Ebrard, criticou os militares bolivianos por terem exigido a renúncia do presidente boliviano.

Colômbia pede reunião urgente da OEA

Já o governo colombiano pediu uma "reunião urgente" do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), após a renúncia de Evo Morales, para que se encontrem "soluções para a complexa situação institucional" na Bolívia, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Colômbia em comunicado.

Também os líderes da esquerda latino-americana reunidos na Argentina denunciaram o que apelidam ser um golpe de Estado na Bolívia, enquanto governos de direita preferem remeter-se ao silêncio ou recorrer à tese da fraude eleitoral.

"A Constituição e o Estado de direito da Bolívia foram violados, interrompendo um mandato constitucional. Forças da oposição desencadearam atos de violência, de humilhação de autoridades, de invasão, saques e incêndios de casas, de sequestros e ameaças a parentes para aplicarem um golpe de Estado e para forçarem a renúncia do Presidente Evo Morales", afirmaram, numa declaração, os líderes da esquerda latino-americana reunidos em Buenos Aires em torno do Grupo de Puebla, uma aliança progressista que reúne 32 políticos de 12 países da região.

Evo Morales renunciou no domingo numa altura em que se verificam protestos no país por suposta fraude nas eleições de 20 de outubro e horas depois de ter convocado novas eleições, conforme recomendado pela Organização dos Estados Americanos (OEA), que afirmou ter detetado graves irregularidades no cálculo da resultados.

Maria Eugenia Choque Quispe, que renunciou à presidência do Supremo Tribunal Eleitoral após a convocação de novas eleições por Evo Morales, foi presa nas últimas horas.

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