López apela à luta. Maduro estende-lhe a mão e pede paz

Oposição assinalou ontem cem dias de protesto contínuo contra o regime do presidente Nicolás Maduro

Entre aplausos e até lágrimas, centenas de pessoas concentraram-se no sábado junto à residência do líder da oposição venezuelana Leopoldo López. Este surgiu pela primeira vez em público desde que foi preso a 18 de fevereiro de 2014, empunhando a bandeira do país, que agitou e beijou na varanda da sua casa, situada em Caracas. Condenado a uma pena de quase 14 anos de prisão efetiva, em 2015, López foi transferido para prisão domiciliária na madrugada de sábado. Aos apoiantes pediu uma coisa: que não saiam das ruas, que não deixem de protestar, que não aliviem a pressão sobre o regime de Nicolás Maduro.

"A Venezuela está a um passo da liberdade. Não guardo ressentimento algum, nem vontade de vacilar na minha luta. Mantenho a vontade firme contra este regime e estou firme na minha convicção de lutar por uma verdadeira convivência, paz, liberdade. Se manter a luta firme pela liberdade significa correr o risco de voltar à cela de Ramo Verde estou mais do que disposto a assumi-lo. Hoje estou preso em casa, mas também o povo da Venezuela. Mantive-me firme por saber que o meu sofrimento não era nada comparado com o do povo. Convocamos todo o povo da Venezuela a sair à rua de novo. Força e fé", afirmou em carta, lida pelo líder do seu partido (Vontade Popular), Freddy Guevara, perante os apoiantes que se concentravam no exterior da sua casa.

Leopoldo López lembrou ainda que ontem, domingo, passaram cem dias desde que os venezuelanos tomaram as ruas com manifestações quase diárias contra o regime de Maduro, num país onde a escassez de quase tudo, da comida aos medicamentos, dificulta uma vida dita normal. Nestes mais de três meses de protestos e, por vezes, de confrontos violentos entre manifestantes e forças de segurança, há já a registar 89 mortes. Recorde-se que López foi condenado a quase 14 anos de prisão por ter sido considerado culpado de instigar às manifestações que, em 2014, se saldaram em 43 mortos.

Numa reação à transferência do opositor da prisão militar para prisão domiciliária, o presidente da Venezuela declarou na televisão ser favorável à medida decidida pelo Supremo Tribunal. "Vocês sabem as profundas diferenças que tenho com LL", disse, acrescentando esperar que López "entenda a medida e envie uma mensagem de apoio à paz, porque é isso que o país deseja". Nicolás Maduro reiterou o apelo a todas as forças políticas venezuelanas para o diálogo.

Entretanto sucedem-se, vindos de vários países e ao mais alto nível político, apelos à liberdade total para Leopoldo López e todos os presos políticos no país. Algumas vozes falam na necessidade de uma reconciliação nacional, numa altura em que a oposição pretende organizar, no dia 16, um plebiscito sobre a continuação de Maduro como presidente e as eleições para a Assembleia Constituinte que este, por sua vez, vai organizar no dia 30.

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