Londres dá até início de maio para Irlanda do Norte formar governo

Governo britânico afirmou que sem novo governo serão convocadas novas eleições ou será retirado o poder autónomo à região

O governo britânico deu até ao início de maio para que seja formado um governo na Irlanda do Norte, caso contrário convocará novas eleições ou retirará o poder autónomo à região, anunciou hoje o ministro James Brokenshire.

O ministro para a Irlanda do Norte exortou os dois partidos mais votados nas eleições de 02 de março, o Sinn Féin (SF) e o Partido Democrático Unionista (DUP na sigla inglesa), a chegarem a um acordo para manter a descentralização.

"Penso que as questões pendentes entre as partes são superáveis, mas se não existir um executivo no início de maio, terei de tomar mais medidas para garantir que a Irlanda do Norte tenha a estabilidade política de que necessita. Isto provavelmente significará, por mais indesejável que seja, uma segunda eleição ou um regresso a Westminster do poder de decisão", avisou.

O prazo foi determinado ao mesmo tempo que foram suspensas as negociações durante o período da Páscoa.

"A fase atual de negociações dos últimos dez dias para ajudar a resolver os problemas vai fazer uma pausa para a Páscoa. As discussões bilaterais entre os partidos e com os Governos do Reino Unido e da Irlanda vão continuar, de acordo com a abordagem tripartida", anunciou, em comunicado.

O ministro referiu que já foram registados "alguns progressos adicionais, incluindo sobre a formação de um executivo", mas que continua a existir discórdia sobre um "número pequeno, mas significativo, de questões".

Brokenshire mostrou-se otimista, garantindo: "A restauração do governo autónomo continua realizável, mas é necessário mais tempo e um empenho mais centrado nas questões críticas".

Porém, advertiu que as negociações após a Páscoa serão "uma última oportunidade para chegar a um acordo" que já está a ser discutido há seis semanas, o dobro do legalmente previsto.

O chamado Acordo de Belfast, ou Acordo de Sexta-Feira Santa, estabelecido no âmbito do Acordo de Paz de 1998, estipulou que o poder seria partilhado pelos dois partidos mais votados.

O DUP, favorável à permanência do país no Reino Unido e identificado com a religião protestante, conquistou 28 dos 90 assentos da assembleia da Irlanda do Norte, enquanto que o SF, defensor da união à República da Irlanda e representativo dos católicos, garantiu 27.

Os restantes foram atribuídos ao Partido Social Democrata e Trabalhista (12), ao Partido Unionista do Ulster (10), ao partido Aliança (oito) e a candidatos independentes ou de pequenos partidos (cinco).

As eleições antecipadas de 02 de março foram convocadas devido à demissão do antigo vice-primeiro-ministro e antigo líder do SF Martin McGuinness, que, entretanto, morreu vítima de doença.

O SF acusa a antiga primeira-ministra e atual líder do DUP, Arlene Foster, de responsabilidade nas irregularidades registadas num programa de energia renovável que resultaram danos de milhões de euros para o governo.

James Brokenshire afirmou que aproveitará os dias antes da Páscoa para determinar que tipo de legislação poderá ser introduzida para resolver necessidades prementes da região, nomeadamente em política fiscal.

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