Líder do governo catalão usa vitória do Barcelona para defender referendo
A reviravolta do Barcelona frente ao Paris Saint-Germain, que depois de ter perdido por 4-0 na primeira mão venceu a equipa francesa por 6-1 no segundo jogo dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, foi aproveitada politicamente pelo presidente do governo catalão. No Twitter, Carles Puigdemont lembrou que "não há nada impossível" e que, tal como o Barça demonstrou no futebol, a "Catalunha vai demonstrá-lo decidindo o seu futuro". Uma referência ao referendo sobre a independência da Espanha, que o governo catalão defende, mas que as autoridades de Madrid não autorizam.
O presidente da Generalitat, que assistiu à partida no Camp Nou, tal com a líder do Parlamento catalão, Carme Forcadell, e as autarcas de Barcelona e de Paris, Ada Colau e Anne Hidalgo (de origem espanhola), partilhou a mensagem no seu Twitter pessoal logo após o final do jogo. Mas, se alguns elogiaram Puigdemont - "presidente, viva o Barcelona e viva uma Catalunha livre", escreveu um dos apoiantes -, outros criticaram o facto de misturar as coisas. "Não se confunda. Cada coisa em seu lugar", lia-se numa resposta. "O que tem de fazer é trabalhar para todos e não apenas pelos seus catalães", dizia outra.
O responsável pela política externa da Catalunha, Raül Romeva, disse no início do mês que o governo catalão está a preparar a logística para realizar um referendo até ao final de setembro de 2017. "Estamos agora a preparar o referendo porque, quer haja acordo ou não, temos de estar preparados", indicou durante uma viagem a Londres. O governo de Mariano Rajoy defende que qualquer referendo sobre a independência da Catalunha é ilegal.
Em novembro de 2014, numa consulta simbólica, quase dois milhões de pessoas defenderam a independência. O ex-presidente catalão, Artur Mas, foi julgado por alegada desobediência ao Tribunal Constitucional (que tinha proibido a realização da consulta), estando a aguardar a sentença. Uma sondagem Gad3, divulgada em janeiro pelo La Vanguardia, mostrava que 42,3% dos catalães votariam "sim" no referendo, enquanto 46,8% diriam "não". Mas só 37,3% defendem uma nova consulta unilateral, sem luz verde de Madrid.
Tsipras ataca opositor
O presidente catalão não foi o único a aproveitar a reviravolta. O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, não hesitou em responder ao líder da Nova Democracia (oposição), Kyriakos Mitsotakis, que teria dito que o seu partido iria ganhar as próximas eleições, tal como o Paris Saint-Germain iria ganhar a Liga dos Campeões.
Na sua conta pessoal do Twitter, em grego, Tsipras respondeu que o PSG ganhou tanto o jogo como a Nova Democracia vai ganhar as eleições. Mitsotakis admitiu entretanto a "previsão errada", comparando-a com a situação da economia. As sondagens dão uma vantagem de 15 pontos percentuais à Nova Democracia para as próximas eleições, só em 2019.