Líder cipriota turco admite referendo sobre reunificação em 2017

O líder da autoproclamada República turca de Chipre do norte (RTCN), Mustafa Akinci, admitiu hoje a realização de um referendo sobre a reunificação da ilha no próximo verão caso as negociações diretas previstas para janeiro decorram de forma satisfatória.

Akinci e Nicos Anastasiades, Presidente da internacionalmente reconhecida República de Chipre (a parte cipriota grega, dois terços do território), vão reunir-se na Suíça em janeiro para tentar fornecer um novo impulso ao processo negocial.

"Se tudo correr bem e não se registar nenhum acidente pelo caminho, então o referendo poderá estar na agenda nos meses de verão", referiu em declarações aos jornalistas em Nicósia.

O líder da RTCN disse que existem 100 temas em discussão nas negociações sobre Chipre, mas as mais complexas reduzem-se entre oito a dez questões, incluindo a terra, bens patrimoniais e segurança.

Anastasiades e Akinci concordaram no reinício das conversações sobre a reunificação da ilha dividida do Mediterrâneo oriental após o falhanço e interrupção das negociações em novembro, que também decorreram na Suíça.

Akinci confirmou que vai manter conversações diretas com Anastasiades antes de se reunirem em 12 de janeiro numa iniciativa patrocinada pelas três potências garantes de Chipre, o Reino Unido, Grécia e Turquia.

"Não haverá mais ninguém sentado na mesa", garantiu Akinci.

Anastasiades deverá deslocar-se à Grécia na sexta-feira para conversações com o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, com o objetivo de preparar o novo e crucial processo negocial, informou o porta-voz do Governo em Nicósia.

Chipre está dividido desde 1974 após a invasão da ilha pelas tropas turcas, em resposta a uma tentativa de golpe inspirada pela junta militar então no poder em Atenas e que pretendia a união com a Grécia.

A RTCN, anunciada em novembro de 1983 é apenas reconhecida pela Turquia, enquanto a República de Chipre se tornou Estado-membro da União Europeia em maio de 2004.

Anastasiades e Akinci, que se têm pronunciado favoráveis a um acordo, estão sob pressão para que sejam visíveis progressos nas negociações. Mas qualquer acordo terá de ser aprovado em referendos pelas respetivas comunidades.

Akinci, natural de Limassol, cidade situada no sul cipriota grego, considerou por diversas vezes que 2016 seria a "janela de oportunidade" para solucionar a questão de Chipre.

Em abril de 2004 os cipriotas das duas partes da ilha votaram em referendos separados um plano da ONU sobre a reunificação de Chipre, aprovado pelos cipriotas turcos mas na ocasião rejeitado pelos cipriotas gregos.

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