Labour expulsa ex-assessor de Tony Blair por ter votado nos Liberais-Democratas

Alastair Campbell, ex-chefe de gabinete do ex-primeiro-ministro trabalhista Tony Blair, defende a necessidade de uma nova consulta popular sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia

Alastair Campbell, ex-chefe de gabinete de Tony Blair no N.º 10 de Downing Street, foi expulso do Labour depois de ter votado nos Liberais-Democratas nestas eleições europeias.

"Estou triste e desapontado por receber um email a expulsar-me do Labour, particularmente num dia em que a sua liderança para estar, finalmente, a fazer algo de acertado em relação ao Brexit, não sendo a isso alheio o voto útil dos membros do partido, incluindo os deputados, presidentes dos Councils e membros da câmara dos Lordes que apoiam o People's Vote", escreveu esta manhã, na sua conta de Twitter, Campbell.

Na segunda-feira, no rescaldo dos maus resultados obtidos por Labour e Conservadores nas europeias, o líder dos trabalhistas, Jeremy Corbyn, declarou que apoia, além de um cenário de legislativas antecipadas, um cenário de consulta popular sobre a saída do Reino Unido da União Europeia.

Declarando que, segundo juristas e especialistas na área, tem fundamentos sólidos para recorrer da expulsão, Campbell esclareceu noutro dos tweets que publicou na sua conta nesta rede social esta manhã: "Sou e serei sempre do Labour. Votei nos Liberais-Democratas, sem o publicitar antecipadamente, para tentar persuadir o Labour a fazer o que é certo para o país e para o partido. Não irei andar nos media a falar sobre isto. Mas é difícil não apontar a forma como os casos de antissemitismo foram tratados [no interior do Partido Trabalhista]".

No passado Corbyn foi acusado de, além de não condenar a Rússia pelo envenenamento do ex-espião Sergei Skripal, também não ter sido suficientemente firme na condenação do discurso antissemita dentro do Labour. Chegou mesmo a ser acusado pelo Conselho de Deputados Judeus Britânicos e pelo Conselho de Liderança Judaica de ter sido visto a apoiar gente que "descaradamente tem opiniões antissemitas", tais como o pintor de um mural antissemita em Tower Hamlets, um bairro na zona este de Londres, em 2012.

As eleições europeias no Reino Unido saldaram-se por uma vitória esmagadora do Partido do Brexit, de Nigel Farage, seguido, no segundo lugar, pelos Liberais-Democratas, partido pró-União Europeia liderado por Vince Cable. Em terceiro ficou o Labour, em quarto os Verdes e só em quinto o Partido Conservador (Tories) de Theresa May.

Antes do escrutínio, o ex-primeiro-ministro britânico que Campbell assessorou disse, na Sky News, que muitos trabalhistas não iam votar no Labour e apelou a que, pelo menos, votassem noutro partido pró-UE. "Vejo muita gente trabalhista que diz que atualmente não consegue votar no Labour. E eu digo-lhes que não fiquem em casa e que, pelo menos, vão votar nalgum dos outros partidos que defendem a permanência do Reino Unido na UE", declarou Blair, àquele canal.

Campbell a votar nos Liberais-Democratas não foi caso único. Antes do escrutínio vários Lordes, do Labour e dos Tories, indicaram que iam fazer o mesmo. Foram igualmente expulsos dos partidos.

"Cheguei à mesma conclusão do que Michael Heseltine, pelas mesmas razões - e irei votar nos Liberais-Democratas nas eleições de quinta-feira para o Parlamento Europeu", escreveu no Twitter o Lorde Andrew Cooper, fundador do instituto de sondagens Populus e ex-diretor de estratégia do governo conservador de David Cameron (o primeiro-ministro que prometeu e realizou o referendo sobre o Brexit a 23 de junho de 2016).

Também Cooper foi suspenso do Partido Conservador depois de o líder do grupo conservador nos Lordes lhe ter comunicado que "apoiar candidatos de outro partido não é compatível com a disciplina de voto dos Conservadores".

Michael Cashman, Lorde do Labour e ex-ator do EastEnders, também indicou que vai votar no partido de Vince Cable. "Não confio em [Jeremy] Corbyn ou nas pessoas que estão à volta dele no que toca ao mais importante assunto desde o pós-guerra da Grã-Bretanha [o Brexit]. Por isso, na quinta-feira não vou votar no Labour. Tal como disse Matthew Parris, eu não sou um liberal-democrata, mas vou apoiá-los pela sua absoluta consistência. Vou votar nos Liberais-Democratas nas eleições europeias. Acho que acabei de me demitir do Labour ao declarar que vou apoiar os Liberais-Democratas nas eleições europeias".

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