Khmer Vermelho. Ditadura caiu há 40 anos

O fim de quatro anos de genocídio contra o próprio povo cambojano acabou no dia 7 de janeiro de 1979. A paz só chegou duas décadas depois. O país asiático é governado com mão de ferro por Hun Sen há mais de 30 anos.

Cerca de 60 mil cambojanos reuniram-se na segunda-feira num estádio em Phnom Penh para celebrar o 40.º aniversário da queda do regime do Khmer Vermelho, numa cerimónia presidida pelo primeiro-ministro Hun Sen. "Hoje, celebramos esta cerimónia para reavivar a memória indelével dos crimes mais hediondos do regime de Pol Pot", afirmou Hun Sen, de 66 anos.

O regime liderado por Pol Pot caiu a 7 de janeiro de 1979, na sequência de uma intervenção militar vietnamita no final de 1978 envolvendo Hun Sen, um antigo Khmer Vermelho que tinha fugido para o vizinho Vietname.

Os maoístas radicais - que alteraram o nome do país para Kampuchea Democrático - impuseram uma ditadura sanguinária. Entre 1975 e 1979 mataram 1,7 milhões e 2 milhões de pessoas, entre execuções em massa, campos de trabalhos forçados, tortura e fome - um genocídio.

Perder a família

Seang Tharuon, de 69 anos, perdeu 11 irmãos e ambos os pais durante o genocídio. Foi forçada pelo Khmer Vermelho a casar-se. Como milhares de outros, Seang Tharuon foi obrigada a sair de Phnom Penh no início do pesadelo. Quando o regime caiu regressou a casa, tendo caminhado mais de 100 quilómetros do campo até à capital.
"Tínhamos principalmente papas para comer, e deixavam-nos comer arroz uma vez por mês", disse Seang Tharuon à Reuters, junto ao estádio em que decorreram as celebrações, e que foram usadas para glorificar Hun Sen como um "estadista pacífico e leal", como foi cantado.

Apesar da queda do regime de terror de Pol Pot, o novo regime apoiado pelo Vietname enfrentou até 1998 a guerrilha do Khmer Vermelho.

Hun Sen, no poder há 33 anos, apresentou-se desde então como a única figura capaz de impedir o regresso à guerra civil, mas o seu historial deve muito aos direitos humanos e à democracia. Em junho de 2018 declarou que iria governar o país por mais dez anos. Também nessa altura nomeou um dos filhos, o tenente-general Hun Manet, para um dos mais elevados postos de comando militar.

A oposição não tem vida fácil. O principal partido foi proibido e o seu líder, Kem Sokha, está em prisão domiciliária.

Durante o discurso, Hun Sen afirmou que vai "impedir as ações dos políticos extremistas da oposição e dos estrangeiros por trás deles". Kem Sokha é acusado de tentar promover uma revolução com o apoio de Washington.

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