Justiça panamiana abre investigação a documentos pirateados

"Os factos descritos nos 'media' sob o nome Papéis do Panamá vão ser objeto de uma investigação", disse o Ministério Público

A justiça do Panamá vai abrir uma investigação sobre o escândalo mundial de evasão fiscal conhecido como "Papéis do Panamá", que implica altos quadros políticos, desportivos e do mundo dos negócios, anunciou na segunda-feira o Ministério Público panamiano.

"Os factos descritos nos 'media' nacionais e internacionais sob o nome 'Papéis do Panamá' vão ser objeto de uma investigação", disse o Ministério Público, num comunicado.

A investigação terá por objetivo apurar se foram cometidas infrações e por quem e, ainda, identificar eventuais prejuízos financeiros, precisou o Ministério Público.

Vários países abriram investigações sobre branqueamento de capitais na sequência das revelações sobre um vasto esquema de evasão fiscal, a partir de cerca de 11,5 milhões de documentos provenientes do escritório de advogados panamiano Mossack Fonseca.

Mossack Fonseca declarou que essas revelações eram um "crime" e um "ataque" contra o Panamá, regularmente acusado de ser um paraíso fiscal, algo que é contestado pelas autoridades.

O Governo do Panamá assegurou no domingo que "iria cooperar vigorosamente" com a justiça em caso de abertura de um processo judicial.

O Ministério Público panamiano reconheceu a "complexidade e o efeito sem precedentes das informações" divulgadas, mas declarou que iria "disponibilizar todos os instrumentos" à sua disposição para a realização da investigação.

A maior investigação jornalística da história, divulgada na noite de domingo, envolve o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla inglesa), com sede em Washington, e destaca os nomes de 140 políticos de todo o mundo, entre eles 12 antigos e atuais líderes mundiais.

A investigação resulta de uma fuga de informação e juntou cerca de 11,5 milhões de documentos ligados a quase quatro décadas de atividade da empresa panamiana Mossack Fonseca, especializada na gestão de capitais e de património, com informações sobre mais de 214 mil empresas offshore em mais de 200 países e territórios.

A partir dos Papéis do Panamá (Panama Papers, em inglês) como já são conhecidos, a investigação refere que milhares de empresas foram criadas em offshores e paraísos fiscais para centenas de pessoas administrarem o seu património, entre eles, o rei da Arábia Saudita, elementos próximos do Presidente russo Vladimir Putin, o presidente da UEFA, Michel Platini, e a irmã do rei Juan Carlos e tia do rei Felipe VI de Espanha, Pilar de Borbón. O semanário Expresso e o canal de televisão TVI estão a participar nesta investigação em Portugal.

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