Johnson e Starmer chocam no rastreio aos contactos dos doentes com covid-19

No terceiro frente a frente entre o primeiro-ministro e o líder da oposição no Parlamento britânico, o coronavírus continua a ser o tema dominante.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, prometeu que uma nova operação de rastreamento de contactos de doentes com coronavírus vai estar a funcionar em pleno a partir de 1 de junho, em mais um frente a frente com o líder da oposição, Keir Starmer, no Parlamento britânico.

"Testar, rastrear e isolar", deve ser a estratégia, defende Starmer, lamentando que a segunda parte não esteja a ser seguida desde meados de março. "É um grande buraco nas nossas defesas, não é, senhor primeiro-ministro?"

Johnson responde que está confiante de que haverá uma operação de rastreamento de casos que permitirá que sejam feitos progressos no combate ao coronavírus. "Até 1 de junho teremos recrutado 25 mil rastreadores", refere, alegando que agora já existem 20 mil. "Espero que abandone o seu tom negativo e apoie o esforço do governo", lançou a Starmer.

"Mais de 30 mil mortes é negativo e é claro que tenho que perguntar sobre isto", reage Starmer, insistindo na necessidade de rastrear os casos. O Reino Unido já tem quase 250 mil casos confirmados de coronavírus, com o número de mortes a ultrapassar as 35 mil.

O primeiro-ministro alega que Starmer não está a ouvir as respostas, quando o líder do Labour insiste em questioná-lo sobre se estará pronta a nova operação de teste e rastreio a 1 de junho. O primeiro-ministro insiste que sim e que os 25 mil rastreadores terão capacidade para responder a dez mil novos casos diários.

No terceiro frente a frente entre Johnson e Starmer, e depois de ter sido dado como grande vencedor nos dois anteriores, o líder da oposição insistiu em temas que já tinha abordado há uma semana. O ex-procurador continua a usar um estilo de questionamento como se estivesse numa sala de tribunal e apesar de o primeiro-ministro se começa a adaptar, continua a não responder diretamente às perguntas concretas que lhe são feitas. Os dois só voltam a enfrentar-se só dentro de duas semanas,

Starmer começou por questionar o primeiro-ministro sobre que tipo de medidas de proteção foram tomadas nos lares, citando o ministro da Saúde, Matt Hancock, que disse na sexta-feira que o governo tinha tentado lançar um "anel de proteção" nestes espaços desde o princípio. Contudo, o responsável máximo pelos lares ingleses negou isso numa audição no Parlamento na terça-feira.

"Tem razão em chamar a atenção para o que aconteceu nos lares", responde o primeiro-ministro, alegando contudo que não houve nenhum utente que recebeu alta do hospital sem ter luz verde das autoridades de saúde. Boris Johnson fala ainda de uma redução drástica no número de mortes nos lares (numa semana caiu 31%, refere).

Starmer responde que não era essa a questão e insiste em saber quando vão começar a ser testados os utentes nos lares, dizendo que as indicações que existem é que apesar dos anúncios de que será no início de junho, estes ainda não começaram.

"Este país está a testar mais do que virtualmente qualquer outro país na Europa", respondeu Boris Johnson, indicando que 118 mil funcionários dos lares foram testados e acusando Starmer de "ignorar os factos", sendo que já terá sido informado várias vezes em privado pelo governo. Starmer responde que não está a falar da sua própria perceção do tema, mas a do responsável máximo pelos lares.

O líder da oposição questiona Boris Johnson sobre se é normal os funcionários de saúde, que vêm de fora do Reino Unido, terem que pagar uma taxa extra para poderem eles próprios ser vistos no Sistema Nacional de Saúde (NHS, na sigla inglesa).

Johnson lembra que foram funcionários de saúde estrangeiros que salvaram a sua vida (incluindo um enfermeiro português), explicando que essa taxa permite ganhar 900 milhões de libras anualmente para o NHS e acreditando que esse é o caminho a seguir. "Acho que é importante que apoiemos este Serviço Nacional de Saúde e investirmos mais e este governo está a fazê-lo", respondeu.

Starmer responde que a taxa é de 400 libras por ano e que vai aumentar para as 625 libras e que um trabalhador da saúde, que ganha o ordenado mínimo, não devia ter que trabalhar 70 horas para pagar esse valor. E anuncia que o Labour vai apresentar uma emenda para que os trabalhadores do NHS fiquem isentos de pagar e questiona se o governo vai apoiar a medida. Johnson diz que quer ver os trabalhadores pagos como deve ser.

Entretanto, e depois de semanas a trabalharem desde casa, os deputados são chamados a regressar ao local de trabalho, mantendo sempre as regras de distanciamento social, para permitir que os trabalhos legislativos sejam retomados.

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