John Major e Tony Blair avisam que brexit pode desunir o Reino Unido

Antigos líderes conservador e trabalhista, rivais nas eleições de 1997, juntos no discurso contra a saída da União Europeia

Não é só abrir a porta a um novo referendo sobre a independência da Escócia, o brexit poderá também pôr em causa os acordos de paz na Irlanda do Norte. O aviso foi feito ontem por dois ex-primeiros-ministros britânicos, o conservador John Major (1990-1997) e o trabalhista Tony Blair (1997-2007), que se uniram para avisar que votar para sair da União Europeia, no referendo de 23 de junho, pode "comprometer a união" do Reino Unido.

"Deitem fora a adesão à União Europeia e não fiquem surpreendidos se, no fim, como consequência, acidentalmente tivermos deitado fora também a nossa união", disse John Major. "A união mais bem sucedida na história mundial pode partir-se para sempre", acrescentou. Major indicou que se o Reino Unido votar a favor do brexit, mas a maioria dos escoceses tiver votado por ficar na União Europeia, um novo referendo sobre a independência escocesa "poderá ser incontrolável e politicamente irresistível". E que o resultado pode ser muito diferente do de 2014 (quando 55,3% disseram "não" à independência).

Major e Tony Blair, adversários nas eleições de 1997, discursaram na Universidade de Ulster, em Londonderry, na Irlanda do Norte, e o ex-primeiro-ministro trabalhista disse que os acordos de paz de 1998 também estariam em risco. Esses acordos puseram fim a três décadas de conflitos entre os católicos nacionalistas, que queriam unir-se à República da Irlanda, e os protestantes que queriam continuar no Reino Unido. "Se sairmos a 23 de junho, isso poria o futuro da Irlanda do Norte em risco, poria a nossa união em risco, seria altamente prejudicial, uma decisão imprudente", disse Blair.

Apesar dos avisos do ex-primeiro-ministro, a responsável pela pasta da Irlanda do Norte no governo, a conservadora Theresa Villiers (que apoia o brexit), disse que é "altamente irresponsável" sugerir que o apoio ao processo de paz é tudo menos "sólido". Mas o ex-presidente norte-americano Bill Clinton, que também teve um papel importante nos eventos que culminaram nos acordos de 1998, repetiu o mesmo aviso num artigo na revista New Statesman, dizendo-se preocupado pela "prosperidade futura e pela paz" na Irlanda do Norte em caso de brexit.

Sondagens

O referendo é dentro de menos de 15 dias e há sondagens para todos os gostos: na segunda-feira, duas davam a vitória ao brexit, mas antes do final desse dia, outras duas davam a vitória ao "ficar". Um estudo da empresa Opinium, feito a três mil pessoas, deu um empate entre ambos os campos e revelou que 18% dos eleitores ainda não sabem no que vão votar a 23 de junho.

Um quarto dos indecisos disseram acreditar que os lares britânicos vão ficar piores se o Reino Unido sair da União Europeia, contra 17% que acham que vão ficar pior se ficar. Más notícias para a campanha do brexit.

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