John Kerry faz visita surpresa a Cabul

Secretário de Estado norte-americano deverá reunir-se com o presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani. Objetivo é encorajar processo de paz na região

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, chegou hoje a Cabul numa visita surpresa para expressar o apoio dos Estados Unidos ao Governo de unidade afegão e encorajar o processo de paz com os talibãs, disse hoje fonte oficial.

John Kerry, segundo o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, John Kirby, citado pela agência France Presse, deverá reunir-se com o presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, e com o "número dois" do Governo afegão, Abdullah Abdullah, "vai insistir no apoio dos Estados Unidos ao Governo e às Forças Armadas locais".

O chefe da diplomacia norte-americana, envolvido há vários anos no dossiê afegão, vai também manifestar o apoio aos esforços do Governo afegão para pôr fim ao conflito no Afeganistão na sequência de um processo de paz e de reconciliação com os talibãs.

Os Estados Unidos retiraram a maioria das suas tropas do Afeganistão, mas mantém ainda no país 9.800 homens, tendo rubricado um "acordo de parceria estratégica", através de uma comissão bilateral que se reúne hoje para analisar as áreas da segurança, defesa, democracia, governança e desenvolvimento económico e social, disse John Kirby.

"Após 18 meses de um governo de unidade, ainda persistem muitos desafios", admitiu o representante especial dos Estados Unidos para o Paquistão e Afeganistão, Richard Olson.

No início de março último, os talibãs afegãos recusaram participar nas conversações de paz diretas com Cabul, travando as esperanças do Governo afegão de pôr cobro a um conflito de mais de 14 anos e que provocou dezenas de milhar de mortos.

A decisão desiludiu também os principais parceiros políticos do Afeganistão - China, Estados Unidos e Paquistão -, que esperavam assistir à retoma do diálogo, enquanto os combates prosseguem em todo o país.

No plano político, as eleições legislativas foram marcadas para 15 de outubro próximo, mais de um ano depois de expirar o mandato dos 249 deputados, atraso devido sobretudo às profundas divergências na cúpula do Estado afegão.

O adiamento da votação está também na base do retomar da insurreição talibã, que está ainda a fazer temer pela segurança dos eleitores e da própria comissão eleitoral.

Por outro lado, persiste ainda um "profundo desacordo" entre Ghani e Abdullah quanto à forma de organizar as eleições, após o fracasso das presidenciais de 2014.

Ao longo de três meses que se seguiram à votação de então, quer Ghani quer Abdullah reivindicaram a vitória eleitoral, acabando ambos por aceitar um inédito acordo de partilha de poder, tendo como principal mediador o chefe da diplomacia norte-americana.

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