Jo Swinson. A primeira mulher à frente dos liberais-democratas

Sucede a Vince Cable na liderança do partido britânico que mais tem subido nas sondagens graças à oposição ao Brexit.

Joanne Kate Swinson, Jo Swinson como é conhecida, de 39 anos, é a nova líder do Partido Liberal-Democrata. Os resultados da votação entre os militantes, que teve uma participação recorde de 72% atribuem 63,1% dos votos a Jo Swinson e 36,9% ao adversário, Ed Davey. Jo Swinson prometeu fazer tudo para parar o Brexit.

"A campanha dos liberais democratas contrastou com outra que decorreu ao mesmo tempo", comentou a presidente do partido, Sal Brinton, em alusão à corrida à liderança dos conservadores, antes de anunciar os resultados. Dos 76429 votantes, 47900 elegeram a escocesa Jo Swinson, enquanto Ed Davey recolheu 28021 votos.

Também a nova líder do partido, que disse sentir-se "encantada e honrada" pelo novo cargo, destacou a civilidade com que decorreu a campanha e deixou um rasgado elogiou ao adversário, um "excecional ministro" da Energia no governo Cameron-Clegg: "O Ed é um enorme talento no nosso partido e vai ser crucial para a nossa equipa."

Jo Swinson lembrou no discurso de vitória que entrou aos 17 anos para o partido e, como tal, vê os liberais-democratas como a sua família. Uma família que tem como prioridades lutar contra o nacionalismo e contra o Brexit. "Fomos claros sobre o Brexit desde a primeira hora. Farei tudo ao meu alcance para parar o Brexit. São os liberais-democratas quem podem mudar o país."

Deputada durante 12 anos -- o primeiro eleito nascido na década de 1980 --, entre 2012 e 2015 fez parte do governo de coligação entre conservadores e liberais-democratas como subsecretária com as pastas das Relações Laborais, do Consumidor e dos Correios.

"Há quem diga que o liberalismo está ultrapassado. O liberalismo está vivo e em ascensão. "Perante o nacionalismo e o populismo, à catástrofe do Brexit, os dois velhos partidos fracassaram", e pouco depois lançou uma farpa a Boris Johnson, ao acusá-lo de estar "mais interessado em dar dar graxa a Trump do que em defender os valores britânicos de decência, igualdade e respeito."

Ambição "sem limites"

Jo Swinson disse "não ter limites" quanto à sua ambição. "Estou preparada para levar o nosso partido a eleições e ganhá-las."

As intenções de voto dão os liberais-democratas com 20%, em terceiro mas apenas a cinco pontos percentuais do primeiro, os conservadores (sondagem YouGov) ou em quarto, com 17%, a 11 pontos percentuais do primeiro, os trabalhistas (sondagem ComRes).

A deputada nascida em Glasgow mostrou abertura para trabalhar com outros partidos. "Seja o Brexit ou a crise climática não podemos dar-nos ao luxo de esperar 20 anos para reconfigurar os nossos lugares no governo. Nós precisamos trabalhar com os outros. Esta é a altura de trabalhar em conjunto, não é altura para tribalismos."

Com a eleição de Jo Swinson, o Partido Trabalhista é o único entre os oito maiores partidos britânicos sem ter conhecido uma mulher na liderança. O Labour não demorou muito a lançar uma campanha, nas redes sociais, contra a nova líder dos liberais-democratas, ao acusá-la de ter quebrado as promessas ao votar ao lado dos conservadores, por exemplo, na subida do IVA e na descida dos impostos para as grandes empresas ou em medidas de austeridade.

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