Jesuítas da Catalunha investigam abusos sexuais nos seus colégios

Em causa está uma investigação interna "aos possíveis casos de abusos sobre menores e condutas menos impróprias, que remontam aos anos 60" , explica a Companhia de Jesus e Jesuíta Educació

É a primeira ordem religiosa em Espanha, e a primeira instituição da igreja católica no país, a levar a cabo uma investigação rigorosa aos alegados abusos sexuais a menores cometidos nos seus colégios. Os jesuítas da Catalunha fizeram saber esta quinta-feira, em comunicado, que decidiram realizar "uma investigação mais sistemática de possíveis casos de abusos sobre menores e condutas impróprias que no passado, remontando aos anos 60, podem ter acontecido nas escolas".

Escreve o El País , que a decisão da Companhia de Jesus e Jesuíta Educació surge após as notícias publicadas esta semana pelo jornal, que revelou casos que mancham a imagem desta ordem religiosa, que agora decidiu investigar a fundo os alegados crimes. "Temos consciência que há uma questão pendente na investigação do passado (...)". Os jesuítas manifestam-se preocupados "com a necessidade de garantir uma memória fiel e honesta do passado e responder às possíveis vítimas". Uma investigação que vai "respeitar a vontade das vítimas e o direito à presunção de inocência".

A decisão de investigar os casos do passado surge depois do El País revelar que o jesuíta Luis Tó González, professor do colégio San Ignacio, de Barcelona, condenado em 1992 a dois anos de prisão por ter abusado de uma menor, foi transferido pela ordem, nesse mesmo ano, para a Bolívia, onde morreu em 2017. Este é um dos 18 casos denunciados pelo jornal de padres abusadores que foram colocados em missões africanas e latino-americanas.

Jesuítas pedem perdão às vítimas

Em resposta ao diário espanhol, os jesuítas reconhecem falhas. "Não foi aberto um processo canónico, e claramente admitimos que isso foi um erro (...). A atuação perante estes casos de abusos não esteve à altura, sobretudo se pensarmos nas vítimas e na falta de respostas mais contundentes. Por isso, pedimos perdão", admitiram. Os jesuítas avançam, no entanto, que foram implementados programas de formação e prevenção em todos os colégios e que os mesmos são atualmente "espaços seguros".

Após a denúncia de casos de padres que escaparam à justiça, surgiram denúncias de presumíveis vítimas do colégio onde lecionada Luis Tó González. "Pedimos perdão, em primeiro lugar, às vítimas e às suas famílias, lamentamos não ter estado sempre à altura da confiança depositada", afirmou a ordem religiosa, que colocou à disposição das vítimas um endereço de correio eletrónico para apresentar denúncias

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