Jeremy Corbyn saberá na terça-feira se precisa de assinaturas para ir a votos

Angela Eagle apresenta amanhã candidatura à liderança do Labour. Theresa May estará já a trabalhar para a formação do governo

"Esta é a maior crise do Partido Trabalhista em muitas gerações e está a acontecer quando o país necessita desesperadamente de um Labour unido". O diagnóstico é feito por Owen Smith, ex-ministro-sombra do Trabalho e Pensões e possível candidato a desafiar a atual liderança de Jeremy Corbyn.

Amanhã, Angela Eagle irá anunciar a sua candidatura e assim dar início à disputa pela chefia dos trabalhistas. Depois, para a formalização, terá de entregar 51 assinaturas (o correspondente a 20% das bancadas parlamentares do Labour em Westminster e no Parlamento Europeu) de deputados declarando-lhe o apoio.

Corbyn já repetiu diversas vezes que não se demite e que irá sempre a jogo numa eventual batalha pela liderança. "Estaria a ser muito irresponsável se abdicasse do mandato que me foi concedido pelos militantes há menos de um ano", sublinha o líder.

A grande dúvida neste momento é se Corbyn poderá ou não ir a votos. As regras internas do partido permitem interpretações distintas. Os opositores do atual líder afirmam que também ele será obrigado a recolher as 51 assinaturas - algo que neste momento de elevada contestação interna seria muito difícil de conseguir. Mas Corbyn entende que tal não é necessário uma vez que ele é o líder em funções.

A próxima terça-feira será um dia chave para o processo. Nesse dia reúne-se o comité executivo nacional para tomar uma decisão. É quase impossível prever qual será o veredicto, uma vez que os 33 membros da comissão estão muito divididos entre apoiantes de Corbyn e aqueles que o querem ver pelas costas. O atual líder já avisou que se a decisão for contrária às suas aspirações está disposto a levar o assunto até aos tribunais.

O comité terá também de decidir se as 129 mil pessoas que aderiram ao Labour a seguir ao referendo poderão ou não votar na eleição do futuro líder. Acredita-se que muitos se terão inscrito apenas para tentar afastar Jeremy Corbyn. Caso o atual líder consiga avançar para a corrida é quase certo que Owen Smith não irá a jogo e apoiará Eagle.

Leadsom, a Corbyn dos Tories

Do lado do Partido Conservador a atualidade continua marcada pela questão da maternidade. Andrea Leadsom, numa entrevista ao The Times, deu a entender que seria uma melhor escolha para primeira-ministra porque é mãe - ao contrário de Theresa May. O facto de ter filhos, segundo Leadsom, faz com que tenha um "genuíno interesse no futuro do país".

Apesar de a candidata ter vindo afirmar que as suas declarações foram deturpadas, as críticas e os ataques começaram a cair de forma torrencial. Mesmo vindos de eventuais aliados. Priti Patel, secretária de Estado para o Emprego, que fez campanha pelo brexit ao lado de Leadsom, veio afirmar que a camarada de governo será um fator de divisão para o partido, acrescentando que poderá até tornar-se numa espécie de versão conservadora de Jeremy Corbyn.

Segundo o The Telegraph, May - que defendeu a continuidade na UE - estará já a fazer inquéritos para a constituição de um governo e pretende um equilíbrio entre defensores do brexit e adeptos do bremain.

Iain Duncan Smith, ministro do trabalho e Pensões, Priti Patel e Chris Grayling, ministro dos Assuntos Parlamentares, são alguns dos apoiantes da saída da UE que poderão vir a fazer parte de um futuro governo de May. David Davis, adversário de David Cameron em 2005 na corrida à liderança dos Tories, é outro dos possíveis nomes.

Ontem o The Telegraph anunciou em editorial o seu apoio a Theresa May, sublinhando que o Reino Unido poderá ter encontrado outra "dama de ferro".

No lado oposto, Leadsom recebeu dois apoios que podem revelar-se presentes envenenados. De Nigel Farage, o ainda líder dos independentistas do Ukip, e da organização de extrema direita Britain First. Tim Loughton, chefe de campanha de Leadsom, apressou-se a rejeitar a simpatia do grupo nacionalista, apelidando-os de "pessoas vis e tóxicas".

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