Ivanka junta-se a Jared e reforça poder do casal na Casa Branca

Depois da nomeação do marido para conselheiro presidencial, é agora a vez da filha de Trump ter o seu próprio gabinete na West Wing. E acesso a informações confidenciais.

Inquirido durante um debate para as presidenciais sobre que mulher devia aparecer nas notas de dez dólares, Donald Trump não hesitou em responder Ivanka, a sua filha favorita. Brincadeira? Talvez, até porque o milionário rapidamente acrescentou "ou Rosa Parks", a ativista pelos direitos cívicos dos negros. Mas este episódio mostra bem a admiração que o agora presidente tem pela filha mais velha. Tanta que ontem se ficou a saber que, apesar de não ter qualquer cargo oficial na administração, Ivanka vai ter o seu próprio gabinete na West Wing da Casa Branca. E acesso a informações classificadas.

E se a nomeação de Jared Kushner, o marido de Ivanka, para conselheiro presidencial já tinha levantado questões éticas, estas voltam agora a colocar-se. Apesar de a filha de Trump - que a partir de 20 de janeiro se mudou para Washington com a família (o marido e os três filhos pequenos: Arabella, de 5 anos, Joseph, de 3, e Theodore, que faz 1 ano no dia 27) - não receber salário do Estado e por isso não estar sujeita às regras de ética dos funcionários governamentais, a própria garantiu que as irá seguir "voluntariamente". Num comunicado divulgado pela CNN, a empresária de 35 anos explica: "Continuarei a dar ao meu pai conselhos, como fiz toda a minha vida", antes de admitir não haver "um precedente moderno de um filho adulto de um presidente".

Alta, loira, elegante, Ivanka parece sempre pesar as palavras antes de falar. Um contraste com o pai, conhecido por dizer o que pensa em qualquer situação. Talvez por isso a empresária seja apontada como a presença capaz de acalmar o presidente. Ela e Jared. Filho, tal como o sogro, de um empresário da construção, o neto de sobreviventes do Holocausto cresceu rodeado de luxos e cedo se dedicou ao negócio da família. Formado em Harvard - onde terá entrado depois de uma generosa doação do pai - interessou-se também pelo negócio dos media, tendo sido dono do jornal online New York Observer. Cargos que entretanto deixou, depois de assumir um cargo na administração.

Educado numa família judia ortodoxa - cumpre rigorosamente o sabbat, tal como Ivanka, que se converteu antes do casamento -, Jared é considerado como uma força moderadora dentro da Casa Branca. Democrata durante anos, doou bastante dinheiro ao partido, antes de se registar como independente. Depois de o sogro se lançar na corrida à Casa Branca, passou a ser o seu principal apoiante, tendo-se ocupado da gestão da campanha nas redes sociais e da recolha de fundos. Um papel que terá contribuído, e muito, para a eleição de Trump.

Encarregado pelo sogro de negociar com países estrangeiros e de "conseguir a paz no Médio Oriente" - nada menos do que isso! -, a influência de Jared, cujo gabinete na West Wing é o mais próximo da Sala Oval, parece não agradar a todos. O New York Times escrevia há dias que a Casa Branca é palco de uma guerra entre os moderados liderados por Jared e Ivanka e os radicais de Steve Bannon, o estratega principal de Trump, próximo da extrema-direita e que incentiva o lado mais populista do presidente.

Se Jared foi essencial para a vitória do sogro, Ivanka também teve uma palavra a dizer nos resultados das presidenciais de 8 de novembro. Empresária de sucesso, antes de deixar os negócios para poder continuar ao lado do pai na Casa Branca, é a responsável pela inclusão no programa do republicanos das licenças de maternidade e dos cuidados infantis.

Além de se ter mudado para uma mansão bem perto da Casa Branca - e agora de ali ter o próprio gabinete, na ala reservada aos mais próximos colaboradores do presidente -, Ivanka e a família têm acompanhado o presidente nos fins de semana na Florida, viajando no Marine One e no Air Force One, o helicóptero e o avião presidenciais.

E se logo depois da eleição, a presença de Ivanka num encontro entre o pai e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, ainda na Trump Tower, tinha levado os media a questionarem sobre o verdadeiro poder da filha do presidente, a verdade é que desde a chegada deste à Casa Branca, Ivanka já se sentou ao lado do primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, e da chanceler alemã, Angela Merkel. Até já se sentou à secretária da Sala Oval, numa foto que correu mundo.

Criada entre amas, cozinheiras e guarda-costas, habituada aos dourados que sempre rodearam o pai, Ivanka teve de lidar desde a infância com a exposição pública. Afinal, terá sido ao ler o tabloide New York Post que ficou a saber que o pai trocara a mãe, a ex -modelo checa Ivana Trump, pela atriz Marla Maples.

Na sua autobiografia A Carta Trump: Jogar para Ganhar no Trabalho e na Vida, Ivanka garante que apesar de muito ocupados, os pais "estiveram sempre lá para mim e para os meus irmãos". Os irmãos são Donald Jr e Eric, filhos de Ivana e agora à frente de todos os negócios da família. Mas também Tiffany, filha de Maples, e Barron, o mais novo, filho da atual mulher de Trump, Melania.

No mesmo livro, Ivanka revela ainda como cedo aprendeu com o pai. E dá como exemplo o dia em que este, irritado com os atrasos constantes da segunda mulher, mandou o avião descolar apesar de esta já estar a correr pela pista. "Vá lá, pai! Ela só está cinco minutos atrasada!", terá dito Ivanka, ao que Trump respondeu: "Não, Ivanka. É preciso chegar a horas."

Hoje, é Trump quem parece procurar os conselhos da filha, que muitos veem como a verdadeira primeira-dama, enquanto Melania continua a viver em Nova Iorque com Barron. Certo é que ter toda a atenção do presidente faz, sem dúvida, de Ivanka e de Jared o casal mais poderoso da América.

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