"Isto acabou. Os nossos sacrificaram-nos". Mensagens de Puigdemont reveladas

Programa da televisão espanhola teve acesso a mensagens enviadas pelo ex-líder do governo catalão a um antigo elemento da Generalitat

As mensagens de Carles Puigdemont a Toni Comín, enviadas ontem à noite e reveladas hoje por um programa da televisão espanhola, parecem mostrar que o antigo líder do governo catalão se sente sacrificado pelos seus, derrotado e que se rendeu. O líder do Juntos pela Catalunha já reconheceu que as mensagens são verdadeiras. "Sou humano e há momentos em que também tenho dúvidas", escreveu no Twitter, criticando a invasão de privacidade.

As mensagens foram enviadas a Comín, um anterior elemento do seu governo, ontem à noite, pelas 20:30, quando nas redes sociais Puigdemont lamentava, num vídeo, o adiamento da investidura e dizia que não existe "nenhum outro candidato possível".

"O plano de Moncloa triunfa", começa, referindo-se à sede do governo espanhol, liderado por Mariano Rajoy. "Só espero que seja verdade que graças a isto possam sair todos da prisão. Se não, o ridículo histórico é histórico", acrescenta, segundo as mensagens reveladas pelo programa de Ana Rosa Quintana, da Telecinco, que as terá conseguido limitando-se a filmar o telemóvel de Toni Comín enquanto este as recebia numa sala cheia de jornalistas.

"Suponho que tenhas claro que isto acabou. Os nossos sacrificaram-nos, pelo menos a mim. Vocês serão conselheiros (espero e desejo), mas eu estou sacrificado tal como sugeria [Joan] Tardà", diz o líder do Juntos pela Catalunha, referindo-se a uma ideia defendida no domingo pelo porta-voz da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC).

"Não sei o que me espera na vida (espero que muito), mas dedicá-la-ei a por em ordem estes dois anos e a proteger a minha reputação. Fizeram-me muito mal, com calúnias, rumores, mentiras, que aguentei por um objetivo comum. Isso acabou e tenho de dedicar-me à autodefesa", escreve.

O ex-líder do governo catalão já confirmou a veracidade destas mensagens e criticou a postura da Telecinco. No Twitter, defende que "há limites, como a privacidade, que nunca deve ser violada". "Sou humano e há momentos em que também tenho dúvidas", justifica, garantindo que não recuará nem desistirá, por respeito, gratidão e compromisso com os cidadãos e o país. "Continuamos", remata.

As mensagens foram enviadas, segundo a Telecinco, pela rede social Signal, a mesma que usou para felicitar Roger Torrent pela eleição para presidente do parlamento catalão, que ontem de manhã anunciou o adiamento da sessão plenária da assembleia prevista para a tarde, que ia investir Carles Puigdemont presidente do executivo catalão.

"O plenário de investidura não se vai desconvocar, mas é adiado", disse Roger Torrent, numa declaração aos jornalistas, assegurando que "o presidente Puigdemont tem todo o direito em ser investido" e que se recusa a propor outro candidato.

A investidura do líder independentista ficou assim adiada até que o Tribunal Constitucional espanhol responda ao recurso apresentado pelo parlamento regional à medida cautelar, decidida no sábado, que impede a investidura à distância de Puigdemont, que está refugiado na Bélgica e com um mandado de busca e captura em Espanha por suspeitas de ter cometido delitos de rebelião, sedição e peculato.

Carles Puigdemont, que se regressar a Espanha será imediatamente preso, divulgou depois uma mensagem gravada através de redes sociais, na qual garante que "respeita" a decisão de Roger Torrent, mas advertiu que não existe "nenhum outro candidato possível".

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