Israelitas à espera da fúria de cem mil palestinianos

Hamas promete mobilização sem precedentes para manifestações de amanhã e terça-feira junto da barreira de segurança com Israel, que garante uma "resposta robusta".

"Estamos à espera de grandes manifestações nos dias 14 e 15", anunciou o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, antecipando para amanhã e terça-feira um nível de mobilização dos palestinianos, a coincidir com a data da independência de Israel e com a transferência da embaixada dos EUA para Jerusalém, que as forças armadas israelitas estimam possa ultrapassar as cem mil pessoas na Faixa de Gaza.

O dirigente do Hamas no território, Yahya Sinwar, dissera na sexta-feira que a população local é "um tigre esfomeado" e que "centenas de milhares poderão assaltar e destruir" a barreira de segurança com Israel nas manifestações dos próximos dias.

Perante a dimensão dos protestos estimada pelo exército israelita, foram mobilizados onze batalhões, ou seja, pelo menos, mais de cinco mil efetivos. As forças armadas israelitas estimam ainda que as manifestações ocorram num número muito superior de pontos junto da barreira, tendo um seu porta-voz, citado pelo diário Haaretz, referido que aquelas poderão realizar-se em 17 lugares. O mesmo porta-voz tornou claro que a resposta israelita a qualquer tentativa de assalto à barreira terá uma "resposta robusta".

As manifestações previstas para amanhã e terça-feira têm como objetivo marcar o dia da "Catástrofe" (Nakda, em árabe), designação dada pelos palestinianos à criação do Estado de Israel em 1948.

Vivem na Faixa de Gaza, que está sob controlo do Hamas desde 2007, cerca de dois milhões de pessoas. Desde 30 de março que o movimento islamita organiza protestos em diferentes pontos da barreira de segurança entre Gaza e Israel, que provocaram 44 mortos entre os palestinianos, o mais recente na passada sexta-feira. Até agora não se verificaram mortes entre as forças de segurança israelitas colocadas na área da barreira de segurança.

Nos protestos de sexta-feira foi invadido por manifestantes o lado palestiniano da passagem de Kherem Shalom, onde é entregue a ajuda humanitária para Gaza em funcionamento, tendo incendiado um oleoduto e destruído instalações num prejuízo estimado em nove milhões de dólares (cerca de 7,5 milhões de euros), segundo a Reuters. Não ficou claro o que levou a esta ação, que prejudica unicamente a população do território, nem quem a levou a cabo.

Considerada uma das três mais movimentadas fronteiras do território com Israel e com o Egito, a passagem de Kerem Shalom foi encerrada por tempo indeterminado. Um porta-voz militar israelita explicou que a passagem "permanecerá encerrada até se avaliar a dimensão dos estragos e se proceder à reconstrução necessária. A passagem só será reaberta se se verificarem as condições de segurança necessárias para isso", concluiu o militar.

Durante a tarde de ontem, a aviação israelita atacou e destruiu um túnel subterrâneo situado perto de uma outra passagem, a de Erez, que seria utilizada pelo Hamas para infiltrações em Israel. Segundo um porta-voz militar, este túnel estava ligado a um outro, situado próximo de Kerem Shalom, que foi destruído no início do ano. Não houve vítimas.

Exclusivos

Premium

Alentejo

Clínicos gerais mantêm a urgência de pediatria aberta. "É como ir ao mecânico ali à igreja"

No hospital de Santiago do Cacém só há um pediatra no quadro e em idade de reforma. As urgências são asseguradas por este, um tarefeiro, clínicos gerais e médicos sem especialidade. Quando não estão, os doentes têm de fazer cem quilómetros para se dirigirem a outra unidade de saúde. O Alentejo é a região do país com menos pediatras, 38, segundo dados do ministério da Saúde, que desde o início do ano já gastou mais de 800 mil euros em tarefeiros para a pediatria.