Israel pede ao Brasil que deixe o Holocausto fora das suas disputas políticas

A embaixada de Israel no Brasil pediu esta quinta-feira que as alusões ao Holocausto sejam deixadas de lado em disputas políticas internas, após um comentário polémico do Ministro da Educação brasileiro, Abraham Weintraub.

"Houve um aumento da frequência de uso do Holocausto no discurso público, que de forma não intencional banaliza a sua memória e a tragédia do povo judeu", indicou a embaixada na sua conta na rede social Twitter.

"Pela amizade forte de 72 anos entre os nossos países, pedimos que a questão do Holocausto fique à margem da política e de ideologias", acrescentou a representação diplomática israelita.

A reação deu-se após uma comparação feita pelo Weintraub com uma operação da Polícia Federal, supervisionada pelo Supremo Tribunal Federal, que investiga aliados do Presidente, Jair Bolsonaro, pela suposta difusão de notícias falsas e ameaças contra esse tribunal e o Parlamento.

Também através do Twitter, o ministro escreveu que essa operação representava "um dia de infâmia, de vergonha nacional, e será lembrada como a Noite dos Cristais brasileira".

Foi assim que ficou conhecido um evento violento ocorrido em novembro de 1938 na Alemanha nazi, em que centenas de judeus foram assassinados e cerca de 30.000 foram levados para campos de concentração pelas tropas de Adolf Hitler, que também destruíram as suas propriedades.

Antes dessa comparação, Weintraub já tinha sido intimado a prestar depoimentos, após a transmissão de um vídeo de uma reunião de ministros, no âmbito de uma outra investigação do Supremo Tribunal Federal que tenta determinar se Bolsonaro interferiu politicamente na Polícia Federal.

Nesse caso, o governante foi convocado para explicar as duras críticas que fez naquela reunião ministerial contra os magistrados do Supremo, a quem chamou de "vagabundos" e sugeriu que eles fossem levados "para a cadeia".

A declaração em causa foi mais um episódio na polémica entre Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal, que ganhou novos contornos nos últimos dias após operações que o tribunal determinou em conjunto com a Polícia Federal, responsável pelas investigações.

O próprio Presidente do Brasil criticou a operação realizada pela Polícia Federal na quarta-feira contra alguns dos seus aliados.

"Ver cidadãos de bem terem os seus lares invadidos, por exercerem o seu direito à liberdade de expressão, é um sinal de que algo de muito grave está a acontecer com a nossa democracia", escreveu Bolsonaro nas suas redes sociais.

Mais tarde, em declarações à imprensa, em Brasília, Jair Bolsonaro afirmou que apesar de não interferir na Polícia Federal, "ordens absurdas" não deverão ser cumpridas.

Há alguns meses, outros comentários tecidos pelo Ministro da Educação em referência à China, que foram apoiados pelo deputado Eduardo Bolsonaro, filho do chefe de Estado, também criaram um desconforto com as autoridades de Pequim, que os descreveu como "racistas".

No caso da China, trata-se do principal parceiro comercial do Brasil no mundo, enquanto que no caso de Israel o Governo de Bolsonaro mantém um relacionamento próximo com o país, e, em particular, uma forte sintonia ideológica com o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.

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