Irão vai aumentar a capacidade para enriquecer urânio

Governo diz que não está a violar o acordo nuclear de 2015, do qual os EUA saíram a 8 de maio.

O Irão notificou a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) do plano para aumentar a sua capacidade para enriquecer urânio, através da construção de mais centrifugadoras, disse o diretor da Organização Iraniana de Energia Atómica (OIEA), Ali Akbar Salehi.

"O que nós fazemos não viola o acordo" sobre o nuclear iraniano assinado em julho de 2015 em Viena, e do qual os EUA saíram a 8 de maio, acrescentou Salehi, citado pela agência de notícias iraniana Fars.

Segundo o diplomata, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, "uma carta foi enviada para a AIEA na segunda-feira sobre o início de certas atividades".

"Se as condições permitirem, talvez amanhã à tarde, em Natanz [centro], possamos declarar a abertura do centro de produção de novas centrifugadoras", acrescentou.

Citado pela Farsi, Salehi disse que o anúncio da produção de centrifugadoras "não quer dizer que nós vamos começar a montagem das centrifugadoras" com o objetivo de as utilizar.

"Estas medidas não significam que as negociações [com a Europa] falharam", afirmou Salehi, referindo-se às discussões entre o Irão e a União Europeia, a Alemanha, a França e o Reino Unido para tentar manter a adesão de Teerão ao acordo, apesar da saída dos EUA.

Num discurso público na segunda-feira, o guia supremo do Irão, Ali Khamenei, disse que a OIEA tinha "o dever de se preparar rapidamente" para aumentar a sua capacidade de produção de urânio enriquecido.

O enriquecimento de urânio permite produzir combustível para as centrais nucleares de produção de eletricidade e pode ter outras aplicações civis, como no campo médio. Mas, altamente enriquecido, e em quantidade suficiente, pode também permitir o fabrico de uma bomba atómica.

Acusado pelos EUA e Israel de se querer dotar da arma atómica, o Irão sempre defendeu que o seu programa nucleares tinha apenas fins pacíficos e civis.

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