Irão. "A cada dez minutos morre uma pessoa. Por hora são infetadas 50"

Com 1433 mortes oficiais, a nação islâmica viveu o seu Ano Novo de forma sombria. Milhares viajaram para os habituais locais festivos, contra as indicações das autoridades.

Enlutado pela epidemia do novo coronavírus, o Irão viveu esta sexta-feira o Ano Novo - entra em 1399 de acordo com o calendário da República Islâmica - de forma sombria com uma avaliação macabra em que não param de crescer as vítimas, sem que as autoridades conseguissem dissuadir milhões de pessoas de viajarem nesta data habitualmente festiva.

A República Islâmica é um dos três países mais afetados pela pandemia de Covid-19, junto com a Itália e a China. A doença não poupa nenhuma de suas 31 províncias.

O porta-voz do Ministério da Saúde iraniano Kianoush Jahanpour disse num tweet que "a cada 10 minutos, um iraniano é morto pelo coronavírus. A cada hora, pelo menos 50 iranianos são infetados".

Para limitar a propagação do vírus, as autoridades pedem à população há várias semanas que se abstenha de viajar durante os quinze dias do feriado de Norouz, o Ano Novo Persa, que tradicionalmente coloca todo o país nas ruas.

De acordo com o Crescente Vermelho Iraniano, cerca de 3 milhões de pessoas partiram das treze províncias mais afetadas pela doença desde 17 de março.

A televisão estatal transmitiu imagens de centenas de carros na quinta-feira, quando os passageiros eram rastreados para monitorização remota da temperatura.

Em conferência de imprensa, esta sexta-feira, o vice-ministro da Saúde, Aliréza Raïssi, disse, sem dar mais detalhes, que os viajantes doentes com o novo coronavírus foram "identificados e enviados para casa". O Crescente Vermelho fala de 2.400 casos.

Nas suas saudações à nação, o líder supremo Ali Khamenei e o presidente Hassan Rohani prometeram que a República Islâmica triunfará sobre o novo coronavírus. Afirmam que a nação enfrenta sanções americanas que asfixiam a sua economia, o que Teerão acusa de impedir uma melhor resposta à epidemia. Os americanos reafirmaram que não vão recuar nas sanções.

Nas últimas 24 horas morreram mais 149 pessoas de Covid-19, disse o vice-ministro da Saúde.

Segundo o relatório oficial iraniano, a doença matou 1.433 pessoas em quase 20.000 infetados desde 19 de fevereiro, data em que as autoridades reconheceram a presença da epidemia no Irão.

Outro vice-ministro da Saúde, Réza Malekzadeh, admitiu, há alguns dias, que o novo vírus provavelmente está presente no Irão desde janeiro. "Acho que chegámos um pouco atrasados ​​à deteção do vírus", disse na televisão estatal.

Referindo-se especificamente à França e à Itália, onde as autoridades impuseram medidas para confinar a população, Aliréza Raïssi defendeu a decisão do Irão de não usar "poder coercivo".

"Nas 13 províncias mais afetadas pela doença, estamos a monitorizar os arredores para identificar e devolver" as pessoas contaminadas a suas casas, disse o responsável, embora reconheça que esse método "só funciona até certo ponto."

Raïssi disse que as viagens no Irão "caíram consideravelmente" em relação ao ano passado, mas que as rotas para o sul do país "ainda estão lotadas".

"Situação perigosa"

"Muitos viajantes vieram a Shiraz nos últimos dias, provavelmente acreditando que o calor eliminará o vírus", disse Mehdi, morador desta cidade cultural e turística do sul, onde "todos os mercados estão fechados". Abertos estão apenas locais com comida e farmácias.

"Os hotéis também estão fechados e é proibido acampar nos parques. Não sei onde esses viajantes querem ficar. De qualquer forma, estão a tornar a situação perigosa para todos", acrescenta este vendedor de peças para carros, falando pelo telefone à AFP de Teerão.

Enquanto Norouz normalmente é um local para reuniões de família, Mehdi, que diz ter cancelado uma estadia que planeou nas ilhas turísticas do Golfo, lamenta: "Nem fui ver os meus pais em Norouz. Falamos só pelo telefone."

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