Interpol apreende 500 toneladas de medicamentos ilegais e perigosos vendidos online

A operação internacional resultou em 859 detenções por todo o mundo, apreensões no valor de 12 milhões de euros, e 3671 links encerrados

Falsos medicamentos para o cancro, para sida, diabetes ou Parkinson, comprimidos para a dor contrafeitos, ou instrumentos cirúrgicos fora do prazo foram alguns dos produtos médicos potencialmente letais vendidos online que foram apreendidos pela Interpol na operação Pangea XI.

Um comunicado da Interpol dá conta de que a polícia, em conjunto com as autoridades alfandegárias e de saúde de 116 países, intercetou a venda ilegal online de medicamentos e produtos médicos e que a operação resultou em 859 detenções por todo o mundo e na apreensão de 500 toneladas de fármacos potencialmente perigosos no valor de 14 milhões de dólares (cerca de 12 milhões de euros).

A ação decorreu entre 9 e 16 de outubro , semana na qual quase um milhão de embalagens foi alvo de inspeção. Além das detenções e apreensões de produtos, 3671 links foram encerrados, entre websites, páginas de redes sociais e sítios de venda online.

Os fármacos intercetados incluíam medicamentos anti-inflamatórios, para a dor, para a disfunção erétil, agentes sedativos, comprimidos para emagrecer ou medicamentos para sida, diabetes ou Parkinson. Além desses, 110 mil artigos médicos como seringas, lentes de contacto, aparelhos auditivos e instrumentos cirúrgicos também foram apreendidos.

Embora o número de pacotes seja maior este ano do que nas operações Pangea anteriores, o número de medicamentos apreendidos foi menor, o que para o secretário-geral da Interpol Jürgen Stock é "um sinal de que as operações estão a atingir os seus objetivos" e de estas forçaram os "criminosos que operam farmácias online ilegais a mudar o seu modus operandi".

"Os resultados deste ano mostram os sucessos conseguidos globalmente em travar a expedição de produtos potencialmente letais para clientes que não são suspeitos", declarou ainda Jürgen Stock.

Na Polónia, as autoridades descobriram pílulas contracetivas escondidas em caixas de DVD, enquanto na Irlanda comprimidos para dormir ilícitos foram descobertos dentro de livros com fundos falsos. No Reino Unido foram descobertos 150 mil comprimidos para dormir fortes cujas embalagens estavam etiquetadas como se contivessem roupas, agasalhos e comida. Um exemplo de outra das práticas descobertas é a descoberta de 737 instrumentos de cirurgia cardíaca fora do prazo que foram traficados para a Macedónia.

A operação, que alerta os cidadãos para os potenciais riscos da compra de fármacos online, passa também pela produção de vídeos, brochuras e pela organização de conversas programadas em hospitais e escolas para a sensibilização em relação a este tema.

"A Internet tornou-se uma grande fonte de medicamentos que não são seguros, e a colaboração internacional é essencial para proteger o público destes perigos. Clientes, vendedores, e fornecedores de sistemas de pagamento estão frequentemente localizados em diferentes cantos do mundo, realçando a importância da cooperação global para combater uma atividade criminal que não respeita fronteiras", afirmou Derek Fitzgerald, que dirige a autoridade neozelandesa para a segurança dos medicamentos e instrumentos médicos.

Nesta operação a INTERPOL coordenou a operação Pangea XI com apoio da World Customs Organization - WCO), Permanent Forum of International Pharmaceutical Crime (PFIPC), Heads of Medicines Agencies Working Group of Enforcement Officers (WGEO), Europol, Pharmaceutical Security Institute (PSI), além do Twitter, Facebook e empresas de cartões de pagamento.

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