Viktor Orbán diz que foi tratado com respeito e que aceitou a suspensão do PPE

Primeiro-ministro da Hungria diz que decisão é "paradoxal" mas que "o PPE tomou uma boa decisão porque ela mantém a unidade". Partido defende que decisão assenta no respeito pelos valores democráticos.

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, disse esta quarta-feira que aceitou voluntariamente a suspensão do seu partido, Fidesz, do Partido Popular Europeu (PPE) e que foi tratado "com respeito" na reunião da assembleia política. Já o PPE argumentou que se tratou de uma decisão que "assenta exclusivamente no respeito pelos valores democráticos".

O PPE, a maior família política europeia, decidiu hoje suspender "com efeitos imediatos" o Fidesz de Viktor Orbán, o que implica que o partido não pode apresentar candidatos a cargos no partido, votar em qualquer tipo de assembleia do PPE ou participar em reuniões partidárias. A decisão, proposta pela liderança do partido, foi aprovada com 190 votos a favor, três contra e um nulo.

Orbán, que governa a Hungria há uma década com maioria absoluta, tem sido criticado pela suas políticas anti-imigração, ataques à independência da justiça ou restrições à atividade de organizações estrangeiras.

Numa conferência de imprensa após a reunião do partido, em Bruxelas, Orbán afirmou que gostaria que "a família" do centro-direita "desse espaço" a diferentes sensibilidades e considerou "paradoxal" a suspensão do Fidesz, "um dos principais membros do PPE".

Orbán afirmou que gostaria que "a família" do centro-direita "desse espaço" a diferentes sensibilidades e considerou "paradoxal" a suspensão do Fidesz, "um dos principais membros do PPE".

O primeiro-ministro húngaro considerou no entanto que foi tratado "com respeito" e que foi ele próprio quem propôs as medidas aprovadas, acrescentando que "se assim não fosse", teria decidido "sair por vontade própria".

"Durante a reunião, na minha mão direita, tinha uma carta onde estava escrito que saíamos. Portanto, se não houvesse este compromisso, teria abandonado o PPE hoje", disse.

Orbán considerou que "o PPE tomou uma boa decisão porque ela mantém a unidade": "Tomámos uma boa decisão e não há caminhos fechados. Agora, vamos fazer campanha pelo PPE e, depois das eleições, o Fidesz e o PPE podem ambos decidir livremente sobre a sua relação".

Já o presidente do Partido Popular Europeu (PPE), Joseph Daul, recusou qualquer associação da suspensão o Fidesz de Viktor Orbán à proximidade das eleições europeias, insistindo que ela assenta exclusivamente no respeito pelos valores democráticos.

"O PPE é um partido de valores [...] Não podemos pôr em jogo nem a democracia, nem a liberdade académica, nem os direitos das minorias. E a retórica antieuropeia é inaceitável", disse Daul numa conferência de imprensa após a reunião da assembleia política da maior família política europeia em Bruxelas.

"As eleições europeias não têm nada a ver com isto, é o meu papel, aplicar os estatutos", assegurou, em resposta a questões dos jornalistas. A decisão foi aprovada com 190 votos a favor, três contra e um nulo.

"Tivemos uma votação democrática e, com este resultado, não podemos dizer que o partido esteja dividido. Sou um democrata e aplico a democracia", insistiu.

A decisão agora tomada inclui a criação de um "grupo de sábios", uma comissão de avaliação dirigida pelo ex-presidente do Conselho Europeu Herman Van Rompuy, para monitorizar o cumprimento pelo partido húngaro das condições estabelecidas pelo líder do grupo parlamentar e candidato à presidência da Comissão Europeia do grupo conservador, Manfred Weber.

Numa carta datada de 5 de março, Weber exigiu a retirada dos cartazes usados na campanha que teve como alvo o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, o reconhecimento pelo Fidesz de que essa campanha causou "danos políticos consideráveis" e a reabertura da Universidade Centro Europeia (CEU), fundada pelo magnata George Soros.

"Os peritos que vão à Hungria", disse Orbán. "Vão poder ver a verdade e não acreditar nas mentiras que se dizem", acrescentou.

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