Líder dos liberais europeus apoia campanha britânica "Bardamerda para o Brexit"

Líder da bancada liberal do Parlamento Europeu foi a Londres apoiar os liberais-democratas numa ação da campanha eleitoral que mais está a dar que falar.

O eurodeputado belga Guy Verhofstadt deslocou-se hoje a Londres para participar na campanha eleitoral dos liberais-democratas para as eleições europeias. Uma campanha que ganhou atenção devido aos bons resultados obtidos nas eleições locais que decorreram em parte do Reino Unido no dia 2. E um lema que está a dar que falar: Bollocks to Brexit, que pode ser traduzido como Bardamerda para o Brexit.

O termo bollocks pode também significar testículos, tretas, parvoíce, mas também ser utilizado num contexto em que o termo é elogioso, e ganhou popularidade com o álbum dos Sex Pistols Never Mind the Bollocks.

"Temos um lema muito claro, simples, inequívoco e honesto, que é 'Stop Brexit'. Há uma versão um pouco mais rude que poderão já ter visto", comentou o líder do partido Vince Cable, em alusão ao Bollocks to Brexit.

O slogan para as eleições marcadas para dia 23 nasceu no topo da empresa Pimlico Plumbers, de canalizações. Em 2018, o empresário Charlie Mullins mandou afixar um cartaz gigante no edifício em Vauxhall, Londres, com as palavras de ordem completadas com a frase "Não é um acordo fechado". O empresário foi pressionado a retirar o cartaz, mas não cedeu e inclusive pagou a instalação de 22 painéis publicitários.

Mais tarde surgiu a campanha Bollocks to Brexit, com um autocarro a percorrer o país com um duplo de Boris Johnson e a cantora Madeleina Kay.

Contra o "populismo horrível"

Para Vince Cable, os eurodeputados liberais-democratas podem contribuir para uma "força liberal poderosa na Europa para enfrentar o populismo horrível como o que existe atualmente no Reino Unido e no resto da Europa".

Para Verhofstadt, presidente do grupo parlamentar Aliança dos Liberais e Democratas pela Europa (ALDE), os eleitores britânicos que queiram o Reino Unido na UE devem votar nos Lib Dems, o partido "mais pró-europeu", e portanto a escolha natural.

Nas eleições no Reino Unido há mais partidos que defendem a permanência na União Europeia: os Verdes, os nacionalistas galeses (Plaid Cymru) e escoceses (SNP) e o novo partido formado por conservadores e liberais-democratas, Change UK.

Verhofstadt anunciou no início do mês que o ALDE no Parlamento Europeu deverá ser dissolvido após as eleições para a formar de uma nova família política centrista, em parceria com o presidente francês Emmanuel Macron e os candidatos da sua lista Renascimento.

Combativo, Verhofstadt tem no populista Nigel Farage, cabeça de lista do partido do Brexit, o seu inimigo em Bruxelas e Estrasburgo. Há duas semanas não deixou passar em claro o facto de Farage ter dito que tinha saído da reforma parcial para liderar o Brexit.

"Nigel Farage tem sido eleito deputado ao Parlamento Europeu desde 1999, mas agora diz que sai da reforma parcial. Como já alertei em 2012, o maior desperdício de recursos da UE é o salário de Nigel Farage. Por que razão haveria alguém de o reeleger para este cargo?", escreveu no Twitter.

O programa dos liberais-democratas compromete o partido para com a livre circulação de pessoas, a meta de zero carbono para toda a União Europeia, mas também medidas para combater a criminalidade na UE. "Há 50 anos que somos o partido pró-Europa", disse Vince Cable ao Guardian.

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