Vaticano sente "vergonha e tristeza" pelos abusos sexuais na Pensilvânia

Mais de 300 padres foram envolvidos e indiciados por crimes de pedofilia e vão responder em tribunal

O Vaticano quebrou esta quinta-feira o silêncio sobre o relatório do júri da Pensilvânia que detalha décadas de abusos sexuais de padres católicos, bem como o encobrimentos por parte dos bispos, classificando as acusações de "criminosas e moralmente repreensíveis".

"Em relação ao relatório tornado público, na Pensilvânia, esta semana, há duas palavras que expressam os sentimentos que esses crimes horríveis nos provocam: vergonha e tristeza", disse Greg Burke, diretor de comunicação do Vaticano, reafirmando o que disse em casos semelhantes: "A Santa Sé condena inequivocamente o abuso sexual de menores."

Este responsável acrescentou que as vítimas devem saber que o Papa está ao lado delas: "Aqueles que sofreram são sua prioridade, e a Igreja quer ouvi-los para erradicar este trágico horror que destrói as vidas dos inocentes."

Roma viveu uma semana negra, com o Papa Francisco a enfrentar crises sobre o abuso sexual em vários continentes, da Austrália à América Latina. O próprio Papa ainda não comentou as acusações que constam no relatório da Pensilvânia, mas há na América quem defenda, tanto entre católicos liberais como até conservadores que se devia pressionar o Papa a responder ao relatório do grande júri.

Segundo o relatório, e com base documentos internos de seis dioceses católicas da Pensilvânia, mais de 300 "padres predadores" foram acusados de abusar sexualmente de mais de mil crianças. Ainda citando o documento, a imprensa norte-americana revelou que algumas das crianças "foram estuprados por via oral, vaginal ou anal". Atos, que segundo o júri foram escondidos pela igreja como "um manual para esconder a verdade".

"Os abusos descritos no relatório são criminosos e moralmente repreensíveis", disse Burke. "Foram atos de traições de confiança que roubaram a fé e a dignidade aos fiéis. A Igreja deve aprender lições difíceis com o passado, e deve haver responsabilidade tanto para os agressores quanto para aqueles que permitiram que o abuso ocorresse", disse diretor de comunicação do Vaticano.

Burke observou ainda que que a maioria das acusações remonta a antes de 2002, quando os bispos católicos dos EUA ainda não tinham adotado as reformas da Igreja Católica nos EUA, que passou a expulsar da igreja os abusadores.

Ler mais

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.