Uma ilha japonesa desapareceu e ninguém deu por ela

A última visita à ilha teria sido em 1987, com uma altura de cerca de quatro metros e meio acima do nível do mar. O seu desaparecimento pode abrir limitações territoriais ao Japão.

É possível perder uma ilha? Sim, e aconteceu no Japão. Esanbehanakitakojima era o nome de uma ilha inabitada japonesa que desapareceu do mapa e que fazia parte das 158 ilhas que o governo japonês tinha nomeado em 2014, de forma a garantir que a água que as circunda continuasse sob a sua alçada. De acordo com o jornal japonês Asahi Shimbun já não há vestígios desta ilhota. E ninguém tinha percebido, até agora.

Hiroshi Shimizu, o autor de um livro ilustrado sobre ilhas japonesas, viajou com o propósito de visitar Esanbehanakitakojima para um novo projeto profissional. Quando a tentou procurar, não a encontrou. E foi aqui aqui que os alarmes soaram. Entrou imediatamente em contacto com as autoridades da aldeia Sarufutsu, situada na ilha mais próxima, para relatar o acontecimento, na esperança de que lhe pudessem dizer, afinal, onde estava localizada a ilha. O investigador estava certo: era ali, mas desapareceu.

A última vez que foi procurada teria sido em 1987 e encontrava-se a cerca de quatro metros e meio acima do nível do mar. Um oficial sénior da Guarda Costeira, Tomoo Fujii, disse ao jornal japonês que é possível "que a ilhota (maioritariamente rochosa) tenha sido corroída pelo vento e pela neve".

A verdade é que a ausência desta massa de terra pode afetar, como explicou o guarda costeiro, o delineamento das águas territoriais do Japão, caso seja feita uma "pesquisa de precisão".

Esta não é a primeira vez que uma ilha desaparece. Em 2016, um estudo publicado pela Environmental Research Letters dava conta do desaparecimento de cinco ilhas de recifes nas Ilhas Salomão do Oceano Pacífico, entre 1947 e 2014.

As causas do fenómeno não ficaram determinadas. Os responsáveis pelo estudo disseram apenas ser provável que o aumento do nível do mar tenha contribuído para a erosão, mas não deve ser a única possibilidade a ser considerada neste caso. "Eventos extremos, mares e desenvolvimento adequado", como explicaram, podem também ser grandes responsáveis pelas mudanças na linha costeira da região.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Bernardo Pires de Lima

Os europeus ao espelho

O novo equilíbrio no Congresso despertou em Trump reações acossadas, com a imprensa e a investigação ao conluio com o Kremlin como alvos prioritários. Na Europa, houve quem validasse a mesma prática. Do lado democrata, o oxigénio eleitoral obriga agora o partido a encontrar soluções à altura do desafio em 2020, evitando a demagogia da sua ala esquerda. Mais uma vez, na Europa, há quem esteja a seguir a receita com atenção.

Premium

Rogério Casanova

O fantasma na linha de produção

Tal como o desejo erótico, o medo é uma daquelas emoções universais que se fragmenta em inúmeras idiossincrasias no ponto de chegada. Além de ser contextual, depende também muito da maneira como um elemento exterior interage com o nosso repositório pessoal de fobias e atavismos. Isto, pelo menos, em teoria. Na prática (a prática, para este efeito, é definida pelo somatório de explorações ficcionais do "medo" no pequeno e no grande ecrã), a coisa mais assustadora do mundo é aparentemente uma figura feminina magra, de cabelos compridos e desgrenhados, a cambalear aos solavancos na direcção da câmara. Pode parecer redutor, mas as provas acumuladas não enganam: desde que foi popularizada pelo filme Ring em 1998, esta aparição específica marca o ponto em filmes e séries ocidentais com tamanha regularidade que já se tornou uma presença familiar, tão reconfortante como um peluche de infância. É possível que seja a exportação japonesa mais bem-sucedida desde o Toyota Corolla e o circuito integrado.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Adeus, futuro. O fim da intimidade

Pelo facto de dormir no quarto da minha irmã (quase cinco anos mais velha do que eu), tiveram de explicar-me muito cedo por que diabo não a levavam ao hospital (nem sequer ao médico) quando ela gania de tempos a tempos com dores de barriga. Efectivamente, devia ser muito miúda quando a minha mãe me ensinou, entre outras coisas, aquela palavra comprida e feia - "menstruação" - que separava uma simples miúda de uma "mulherzinha" (e nada podia ser mais assustador). Mas tão depressa ma fez ouvir com todas as sílabas como me ordenou que a calasse, porque dizia respeito a um assunto íntimo que não era suposto entrar em conversas, muito menos se fossem com rapazes. (E até me lembro de ter levado uma sapatada na semana seguinte por estar a dizer ao meu irmão para que servia uma embalagem de Modess que ele vira no armário da casa de banho.)