"A Intifada contra o inimigo sionista". Dois palestinianos mortos

Dezenas de pessoas ficaram de feridos em confrontos entre tropas israelitas e palestinianos
Publicado a
Atualizado a

NOVO BALANÇO: As autoridades de Saúde palestinianas reviram ao fim da tarde em baixa o número de palestinianos mortos nos confrontos com forças israelitas em Jerusalém, na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, de dois para um, mantendo o balanço de cem feridos. No entanto, há relatos de pelo menos duas centenas de pessoas feridos. Mais tarde, fonte de um hospital de Gaza anunciou a morte de uma segunda pessoa devido aos seus ferimentos.

O Ministério da Saúde palestiniano tinha dado conta, ao longo da tarde, de dois mortos palestinianos nos confrontos com militares israelitas, mas depois corrigiu a informação que tinha prestado e fala apenas em um morto.

O porta-voz do ministério, Ashraf al Qedra, anunciou a morte de Mahmud al Masri, de 30 anos, da cidade de Khan Yunes, na Faixa de Gaza, devido a ferimentos de bala. Minutos mais tarde foi dada a informação de um segundo morto, devido a um ferimento na cabeça. Ashraf al Qedra esclareceu posteriormente que o segundo homem chegou a sofrer uma paragem cardíaca, mas que os médicos conseguiram reanimá-lo.

Ao início da noite, fonte de um hospital de Gaza confirmou a existência de um segundo morto, devido aos ferimentos que sofreu.

Haverá 100 feridos - 200 segundo a Al Jazera e BBC, 60 segundo o Haaretz - atingidos por balas de borracha e fogo real na sequência de confrontos em várias localidades da Cisjordânia por causa do reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, indicou o Crescente Vermelho. Um homem terá morrido na sequência dos disparos de militares israelitas.

Em várias cidades e vilas, milhares de palestinianos foram para as ruas após a oração do meio-dia e, em alguns casos, lançaram pedras contra tropas israelitas, que responderam com balas de borracha e gás lacrimogéneo. Na cidade de Belém era visível uma coluna de fumo a sair de um dos bairros.

Na quarta-feira, o Presidente Donald Trump anunciou que os Estados Unidos iriam mudar a sua embaixada em Israel de Telavive para Jerusalém, reconhecendo a cidade como capital daquele país.

A mudança de política diplomática - os Estados Unidos afirmavam, até agora, manter a neutralidade no conflito israel-palestiniano - enfureceu o Mundo Árabe e os muçulmanos em geral, que encaram a decisão como uma confirmação de que os Estados Unidos escolheram o lado de Israel no mais perigoso e duradouro conflito da região do Médio Oriente.

Jerusalém alberga alguns dos mais sagrados locais de culto para muçulmanos e cristãos, bem como o mais sagrado local religioso do Judaísmo. Os palestinianos querem ter como capital de um futuro Estado da Palestina o setor oriental da cidade, anexado por Israel. Já Israel não quer ceder qualquer parte da cidade, que considera a sua capital histórica.

Os confrontos em Jerusalém e um pouco por toda a Cisjordânia começaram quando os palestinianos saíram das mesquitas, após a oração do meio-dia de sexta-feira, o ponto alto da semana religiosa muçulmana.

Os movimentos políticos palestinianos tinham apelado para que o dia de hoje fosse dedicado a manifestações em massa na Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental.

Apelos à revolta

O líder de Gaza do grupo militante islâmico Hamas exortou a que os palestinianos começassem uma terceira revolta contra Israel.

Por outro lado, a rede do grupo terrorista Al-Qaeda lançou apelos aos seus seguidores para que atacassem alvos dos Estados Unidos, de Israel e dos seus aliados em todo o mundo.

Um comunicado publicado hoje no As-Sahab, órgão da Al-Qaeda, apelava à jihad (guerra santa) e descrevia os Estados Unidos como opressor dos muçulmanos.

Neste contexto, a atenção estava virada hoje de manhã para a Cidade Velha de Jerusalém, onde fica o complexo da Mesquita de Al-Aqsa, o terceiro mais importante local de culto muçulmano, e que está construída em cima do mais importante local sagrado do Judaísmo. Um dos muros exteriores do complexo da Mesquita de Al-Aqsa é o mais sagrado local de oração para os judeus.

Hoje, o imã em Al-Aqsa disse aos fiéis que a cidade vai "manter-se muçulmana e árabe".

"Tudo o que queremos dos líderes árabes e muçulmanos é ação e não declarações de denúncia", disse o sheikh Yousef Abu Sneineh às cerca de 27 mil pessoas que assistiam à prédica.

Cerca de 2.000 destes fiéis juntaram-se depois na esplanada em volta da mesquita, a cantar: "Defenderemos Al-Aqsa e Jerusalém com o nosso sangue e a nossa alma".

Hamas convocou nova Intifada

O Hamas convocou para hoje o início de uma nova revolta contra Israel em reação ao anúncio norte-americano de reconhecer Jerusalém como capital do Estado israelita, decisão também hoje analisada de urgência no Conselho de Segurança da ONU.

"Dia 08 de dezembro será o primeiro dia de uma Intifada contra o nosso inimigo sionista", disse, na quinta-feira, o líder do movimento radical palestiniano Hamas, Ismail Haniyeh, num discurso na Faixa de Gaza.

"Só podemos enfrentar a política sionista - apoiada pelos Estados Unidos - lançando uma nova Intifada", reforçou Ismail Haniyeh.

No mesmo dia em que está convocado o início da 'terceira Intifada", o Conselho de Segurança da ONU reúne-se de urgência em Nova Iorque para analisar o anúncio de Trump e uma eventual resposta à decisão de Washington.

A reunião de urgência foi convocada por oito dos 15 membros integrantes do Conselho de Segurança da ONU.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt