Um em cada quatro votos europeus é populista. Portugal escapa

No mapa divulgado pelo The Guardian, que levou a cabo o estudo sobre o crescimento populista na Europa, Portugal aparece como um dos países imunes à força populista.

Nas últimas eleições nacionais realizadas nos países europeus, registou-se que um em cada quatro votos foi para um partido populista. E nos últimos 20 anos, pelo menos em 11 destes países, os votos foram suficientes para colocar os líderes populistas no governo. As conclusões são de um novo estudo, conduzido pelo The Guardian em conjunto com mais de 30 investigadores políticos de relevo, que vem provar que o apoio aos partidos populistas na Europa triplicou nestas últimas duas décadas. Mostra ainda que para já há três países imunes à penetração das forças populistas: Letónia, Estónia e Portugal.

Este estudo teve por base uma análise do desempenho nas eleições nacionais em 31 países europeus ao longo dos anos. E vem concluir que a ascensão da força populista acontece desde pelo menos 1998, altura em que estes partidos eram apenas "um fenómeno das margens políticas", como afirmou Matthijs Rooduijn, um sociólogo político da Universidade de Amesterdão e um dos líderes da investigação. E se a sua representação se situava nos 7% em todo o continente europeu, agora situa-se confortavelmente nos 25%.

"Hoje em dia, alguns dos desenvolvimentos políticos recentes mais significativos, como o referendo do Brexit em 2016 e a eleição de Donald Trump em novembro do mesmo ano, não podem ser entendidos sem levar em conta a ascensão do populismo", explicou o especialista. "O terreno fértil para o populismo tornou-se cada vez mais fértil e os partidos populistas são cada vez mais capazes de colher as recompensas", remata.

Enquanto os defensores desta vertente política dizem que o populismo é uma força vital em qualquer democracia, por defender o cidadão comum contra os interesses partidários, os críticos alertam para a forma como o populismo pode fragilizar esta mesma democracia, minando a comunicação social, o sistema jurídico e atropelando os direitos das minorias.

Apesar das divergências, os números populistas triplicaram no continente e, segundo Cas Mudde explicou ao The Guardian, "há três grandes razões principais para a forte ascensão do populismo na Europa". O professor de assuntos internacionais da Universidade da Geórgia nomeia "a grande recessão, que criou alguns fortes partidos populistas de esquerda no sul, a chamada crise de refugiados, que foi um catalisador para os populistas de direita e, finalmente, a transformação de partidos não populistas em partidos populistas".

No mapa dinâmico publicado pelo The Guardian, Itália surge como o país com mais votos populistas em 1998. Desde este ano, o número de populistas no governo sobe de dois - na Suíça e na Eslováquia - para 11 - mantendo-se a Suíça e a Eslováquia, aos quais se juntam países como a Noruega, Grécia, Finlândia, Áustria, Polónia, Republica Checa, Itália, Hungria e Bulgária. Os cinco últimos surgem como os países com mais votos populistas. De 1998 a 2018, Portugal permanece sem representação. Em 2015, por outro lado, Espanha sobe no mapa.

De acordo com o estudo, em 1998, havia mais de 12 milhões de europeus governados por partidos populistas e agora são já 170 milhões. Contudo, o fenómeno não é apenas europeu. Sete das maiores democracias do mundo estão entre os locais no mapa mundial onde a representação populista cresceu: Índia, Estados Unidos, Brasil, México e Filipinas.

As conclusões surgem a apenas seis meses das eleições parlamentares europeias.

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