Trump quer proibir livro "de fantasia" sobre a sua presidência

Porta-voz da Casa Branca afirma que livro a ser publicado na próxima semana está repleto de mentiras.

É um livro "repleto de fantasia", "mentiras ridículas" e "mexericos de tabloide", um "verdadeiro lixo". Foi com estas expressões que a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, classificou ontem o livro Fire and Fury: Inside the Trump White House (pFogo e Fúria: Na Casa Branca de Trump), a ser posto à venda na próxima semana e no qual é traçado um retrato caótico do primeiro ano da presidência de Donald Trump.

Extratos divulgados sugerem um clima de incompetência recorrente, uma permanente atmosfera disfuncional e conflitos internos, "loucura" e "deslealdade", como o caracteriza o autor do livro, Michael Wolff, num texto ontem publicado no The Hollywood Reporter. No livro, Donald Trump é descrito como "infantil", alguém que não tinha a certeza na vitória nas eleições de novembro. E são-lhe atribuídas caracterizações nada elogiosas feitas por figuras como o conselheiro de segurança nacional, H.R. McMaster, que terá chamado ao presidente "um idiota completo", ou o secretário de Estado, Rex Tillerson, que lhe terá dado o qualificativo de "imbecil" - esta última situação já revelada pelos media americanos.

Por isto, os advogados do presidente pretendem impedir a venda do livro, cujo lançamento está marcado para a próxima terça-feira. E aquele que surge como uma das principais fontes de Michael Wolff, o ex-chefe de estratégia de Trump Steve Bannon, será alvo de ação judicial por "difamação", disse à Reuters o advogado pessoal do presidente, Charles Harder.

Como explicou ontem Sanders, na conferência de imprensa, praticamente tudo o que surge escrito no livro é mentira, e, se a fonte principal é Bannon, o seu conteúdo é ainda mais irrelevante. Este foi afastado de funções em abril de 2017 (deixando a Casa Branca em agosto) e o período que Fire and Fury pretende retratar é posterior àquela data, insistiu a porta-voz de Trump.

Lamentando que quase todas as perguntas feitas incidissem sobre o trabalho de Wolff, tal como já sucedera na véspera, Sanders notou que a "grande maioria" das entrevistas que aquele fez na Casa Branca foram feitas a pedido de Bannon e que o autor não falou mais do que poucos minutos com Trump, e não em relação com o livro. No encontro com os media na terça-feira, Sanders frisara a ideia de haver uma "diferença entre opiniões distintas e factos alternativos. As pessoas têm direito a opiniões diferentes mas não têm direito a criar os seus próprios factos. E o problema é que foi divulgada muita informação enganadora".

Também na quarta-feira, Trump divulgara um comunicado de linguagem violenta, desvalorizando o papel de Bannon na sua campanha. Na noite de quarta para quinta-feira, este último, falando na rádio do grupo Breibart, de que foi um dos fundadores e que dirigiu antes da passagem pela Casa Branca, o ex-conselheiro do presidente garantiu que "nada se intrometeria" entre ele e Trump. O que levou este a comentar ontem de manhã no Twitter que Bannon "mudou de tom muito rapidamente".

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