Trump culpa as lâmpadas por parecer sempre cor de laranja

O presidente norte-americano tem usado várias vezes a questão das lâmpadas mais eficientes para criticar as restrições energéticas e ambientais.

"O que é que se passa com as lâmpadas? As que somos forçados a usar, em primeiro lugar, e para mim o mais importante, a luz não é boa. Eu pareço sempre cor de laranja", disse o presidente norte-americano, Donald Trump, diante dos risos dos congressistas republicanos, que participavam num jantar em Baltimore.

No jantar e ao longo de mais de uma hora, Trump terá criticado vários temas ambientais, entre os quais as lâmpadas economizadoras, mais eficientes no consumo de energia. Alega que estas são "muito mais caras que as velhas lâmpadas incandescentes que trabalhavam muito bem" e reiterou que a sua luz "não é boa".

O presidente é muitas vezes alvo de piada, por parte dos críticos, por causa do tom da sua pele e do cabelo. No jantar, disse que as lâmpadas não o afetam só a ele e disse aos congressistas que eles também parecem cor de laranja debaixo das mesmas luzes.

E não foi a primeira vez que criticou as luzes. Num evento na Carolina do Norte, disse à multidão: "Não sou vaidoso... Mas pareço melhor sob uma luz incandescente do que estas luzes malucas que estão a brilhar sobre mim", disse em Fayetteville, segundo a NBC News.

A Administração Trump recuou numa série de exigências referentes a luzes mais eficientes que tinham sido aprovadas pelos governos de Barack Obama e George W. Bush. Uma delas vai permitir o fabrico de lâmpadas que exigem mais poder para acenderem, que os críticos dizem que vai acelerar o consumo de energia.

O Departamento da Energia diz que as regras não vão impedir os consumidores de comprar as lâmpadas que quiserem, dizendo que o mercado fez a transição para as LEDs apesar das regras federais. "Os consumidores estão a tirar proveito das poupanças energéticas que as LEDs trazem", indicou.

Exclusivos

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Os deuses das moscas

Com a idade, tendemos a olhar para o passado em jeito de balanço; mas, curiosamente, arrependemo-nos sobretudo do que não fizemos nem vamos já a tempo de fazer. Cá em casa, tentamos, mesmo assim, combater o vazio mostrando um ao outro o que foi a nossa vida antes de estarmos juntos e revisitando os lugares que nos marcaram. Já fomos, por exemplo, a Macieira de Cambra em busca de uma rapariga com quem o Manel dançara um Verão inteiro (e encontrámo-la, mas era tudo menos uma rapariga); e, mais recentemente, por causa de um casamento no Gerês, fizemos um desvio para eu ir ver o hotel das termas onde ele passava férias com os avós quando era adolescente. Ainda hoje o Manel me fala com saudade daqueles julhos pachorrentos, entre passeios ao rio Homem e jogos de cartas numa varanda larga onde as senhoras inventavam napperons e mexericos, enquanto os maridos, de barrigas fartas de tripas e francesinhas no ano inteiro, tratavam dos intestinos com as águas milagrosas de Caldelas. Nas redondezas, havia, ao que parece, uma imensidão de campos; e, por causa das vacas que ali pastavam, os hóspedes não conseguiam dar descanso aos mata-moscas, ameaçados pelas ferradelas das danadas que, não bastando zumbirem irritantemente, ainda tinham o hábito de pousar onde se sabe.