Tem 11 anos e só precisou de dez minutos para piratear site eleitoral nos EUA

Na convenção de segurança Def Con, que decorre em Las Vegas, crianças foram convidadas a testar as vulnerabilidades do sistema de divulgação de informações que será usado nas eleições intercalares de novembro.

Os sites que divulgam as informações eleitorais nos EUA - desde quais são os locais de voto até aos resultados - têm um nível de segurança tão baixo que até uma criança os pode piratear. Isso mesmo foi provado na Def Con, uma das maiores convenções de cibersegurança do mundo que está a decorrer em Las Vegas.

O desafio parecia complicado: 39 crianças e jovens, com idades entre os 8 e os 17 anos, foram convidados pela R00tz Asylum (uma organização sem fins lucrativos que promove a "pirataria pelo bem") a tentar piratear 13 sites que imitam na perfeição aqueles que serão usados em outros tantos estados em que a votação deverá ser renhida, nas eleições intercalares de novembro. Piratear os verdadeiros sites seria crime.

Das 39, 35 conseguiram ultrapassar as barreiras de segurança. A mais rápida, Audrey Jones, de apenas 11 anos, só precisou de dez minutos para o fazer. "Os erros no código permitem-nos fazer o que queremos", disse à BBC. "Podemos dar o nosso nome a alguém e fazer parecer que ganhámos as eleições", acrescentou.

Mas não foram só crianças a tentar revelar os riscos do sistema de votação norte-americano. Piratas informáticos foram também convidados a piratear cinco tipos de máquinas de votação, numa tentativa de detetar novas vulnerabilidades, de forma a informar as empresas que fabricam estes sistemas e procurar arranjar o problema até às eleições.

A Def Con organizou a sua primeira "aldeia de votação" no ano passado, depois de as agências de segurança dos EUA concluírem que o governo russo recorreu à pirataria informática numa tentativa de apoiar a candidatura de Donald Trump para a presidência, nas eleições de 2016. Moscovo nega as acusações.

A equipa de segurança nacional avisou na semana passada que a Rússia está a desenvolver "esforços generalizados" para interferir nas eleições, nas quais os democratas esperam recuperar o controlo da Câmara dos Representantes e do Senado e os republicanos manter a maioria.

"Estas vulnerabilidades que vão ser identificadas ao longo dos próximos dias [até domingo] iriam, numa eleição real, causar o caos massivo", disse à Reuters Jake Braun, um dos organizadores. "Elas precisam de ser identificadas e enfrentadas, independentemente do ambiente em que são detetadas", acrescentou.

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