Soldados franceses não vão ser acusados por abusos sexuais

Terminou a investigação sobre os abusos sexuais de menores na Republica Centro-Africana por parte de militares franceses

O gabinete do procurador de Paris anunciou hoje a conclusão de uma investigação sobre alegados abusos sexuais de militares franceses na República Centro-Africana, sem que nenhum dos soldados envolvidos tenha sido acusado.

A porta-voz do gabinete do procurador, Agnes Thibault-Leroux, afirmou hoje que a investigação sobre o caso ficou formalmente concluída no mês passado. Thibault-Leroux escusou-se a dar mais pormenores sobre o assunto.

O jornal francês Le Monde noticiou, entretanto, que a decisão de não levar os militares franceses a tribunal resultou de não haver "elementos" suficientes para sustentar uma eventual acusação.

Vários rapazes relataram a investigadores das Nações Unidas que foram abusados sexualmente por militares franceses na capital da República Centro-Africana, Bangui, em maio e junho de 2014.

Catorze militares franceses estariam envolvidos nos alegados abusos sexuais, que supostamente terão ocorrido dentro ou nas imediações do campo de deslocados instalado no aeroporto M'Poko.

O ministério da Defesa francês não fez comentários sobre o assunto.

Uma unidade especial da polícia militar francesa está a investigar alegados crimes de militares franceses em missões no exterior, incluindo crimes na República Centro-Africana.

Também ainda está a decorrer uma investigação paralela sobre alegados abusos sexuais de capacetes azuis das Nações Unidas e soldados franceses entre 2013 e 2015 na cidade de Dekoa. As Nações Unidas deram conta das acusações ao ministério da Defesa francês em abril de 2016.

Na altura, a ONU deu conta que mais de 100 raparigas e mulheres tinham denunciado abusos sexuais por parte das tropas internacionais estacionadas na República Centro-Africana.

A França, a antiga potência colonial da República Centro-Africana, enviou tropas para o país no final de 2013 após uma vaga de violência entre cristãos e muçulmanos.

No ano seguinte, uma missão de paz da ONU foi enviada para a República Centro-Africana para estabilizar o país.

No início de 2017 segue para a República Centro-Africana - integrada na missão da ONU - uma força de cerca de 160 militares portugueses, provenientes do Regimento de Comandos.

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