Rovira opta pelo "caminho do exílio" e falha Supremo

Tribunal acusou a número dois do partido independentista do crime de rebelição e acionou um mandado internacional de detenção

Marta Rovira, número dois da ERC, anunciou ontem que iria faltar à audiência no Supremo, para a qual estava intimada, e que irá abandonar Espanha, encetando "um caminho duro", "o caminho do exílio", declarou numa carta divulgada pelo partido. Os media espanhóis adiantam que está na Suíça. Na quinta-feira, após o final do debate de investidura, já havia renunciado ao cargo de deputada.

"Sinto-me triste, mas muito mais triste teria sido viver silenciada interiormente, sentir minha liberdade de expressão censurada por tribunais que intimidam e aplicam critérios - sem critério - políticos. Todos os dias, todas as horas, senti minha liberdade limitada por ameaças judiciais arbitrárias. Não me sentia livre. Não me reconhecia. Nestas últimas semanas vivi numa prisão interna", declarou Rovira. A ERC, no Twitter, deixou a seguinte mensagem, acompanhada de um vídeo de apoio: "Por muito longe que estejas, nunca estarás só, Marta Rovira".

A líder independentista garante que esta próxima etapa será dura, "mas é a única maneira que tenho de recuperar a minha voz política". "É a única forma que tenho de enfrentar o governo do PP, que persegue todos os que são a favor de votar", pode ler-se na carta. "Quero dizer uma última coisa. Não deixem que o rancor se apodere de vós. A análise de uma realidade antidemocrática e profundamente injusta não deve dar lugar ao ressentimento. Contra nada", escreveu Marta Rovira, quer terminou a carta com um "viva a liberdade, a justiça, a igualdade e a fraternidade, viva uma república catalã para todos!".

Com a ida para a Suíça, Rovira torna-se no sétimo independentista a sair de Espanha, depois de Carles Puigdemont, dos ex-conselheiros Meritxel Serret, Toni Comín, Lluís Puig e Clara Ponsatí, e da ex-deputada da CUP Anna Gabriel.

Ontem viu o Supremo confirmar a sua acusação do crime de rebelião, cuja pena pode irá até 25 anos de prisão, pela sua participação no referendo de 1 de outubro. O juiz Pablo Llarena acionou ainda um mandado internacional de detenção para a número dois da ERC.

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