Roménia aprova referendo para proibir casamentos gay

Associações próximas da igreja ortodoxa afirmam terem recolhido três milhões de assinaturas para que o objetivo fosse cumprido

A câmara alta do Parlamento da Roménia aprovou na noite de terça-feira por uma larga maioria a realização de um referendo para inscrever na Constituição a proibição do casamento homossexual.

A realização da consulta, já aprovada pela câmara baixa do Parlamento e que poderá decorrer a 7 de outubro, resulta de uma "iniciativa cidadã" de várias associações próximas da igreja ortodoxa, que afirmam terem recolhido três milhões de assinaturas com tal objetivo. A população do país é de cerca de 19 milhões.

Segundo o texto aprovado pelos eleitos e que deverá integrar a lei fundamental caso o "sim" vença o referendo, o casamento representa "a união entre um homem e uma mulher".

Atualmente a constituição refere uma união "entre cônjuges", embora o casamento homossexual não seja permitido na Roménia.

Para a associação Accept, que defende os direitos das minorias sexuais, com o seu voto "o Senado romeno faz da homofobia um valor de Estado e sacrifica a proteção constitucional de numerosas famílias".

"Esta votação representa uma violação do direito à vida privada e de família (...) que pertence a todos, seja qual for a sua orientação sexual", adiantou.

Num parecer histórico em 2015, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos instou os Estados a estabelecerem uma forma de parceria civil para os homossexuais.

Atualmente, metade dos 28 países membros da União Europeia (UE) reconhecem o casamento homossexual, enquanto oito outros autorizam a união civil.

Membro da UE desde 2007, a Roménia só descriminalizou a homossexualidade no início dos anos 2000, e as minorias homossexuais continuam a ser vítimas de discriminação.

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