"Revolução da bondade" para combater a extrema-direita, sugere político italiano transgénero

Gianmarco Negri venceu na semana passada o candidato de extrema-direita na corrida à presidência da Câmara de Tromello, uma pequena cidade a sul de Milão, com 37,5% dos votos.

A "revolução da bondade" é a melhor arma para combater a "arrogante e opressiva" extrema-direita, diz o primeiro presidente da câmara italiano transgénero, Gianmarco Negri.

Foi eleito na pequena cidade de Tromello, no sul de Milão, na semana passada. Candidatou-se por um partido de esquerda que ganhou com 37,5%, derrotando o candidato de extrema-direita, que obteve 26% dos votos. "Ter sido eleito é ir absolutamente contra a corrente em Itália", afirmou Negri, citado pelo The Guardian.

"A vitória e o facto de termos tido um resultado bastante elevado envia uma mensagem muito importante. A Liga [partido do atual primeiro-ministro italiano, Matteo Salvini], um partido que subscreve certas posições em relação a grupos mais frágeis da sociedade, ganhou com 53% as eleições europeias, mas na esfera administrativa foi rejeitada. É ainda mais importante que isso tenha acontecido numa pequena cidade provinciana, onde é mais difícil viver de forma livre", indicou o recem eleito presidente de câmara.

Negri, 40 anos, é ativista dos direitos transgénero e ele próprio mudou de sexo há uns anos. "Vivendo numa pequena cidade, onde a maioria das pessoas veem de famílias tradicionais, tive medo da discriminação, mas depois disse a mim mesmo: Eu conheço estas pessoas e se elas me amam agora, porque é que isso vai mudar?".

Hoje, considera que foi bem aceite. É o primeiro presidente da câmara transgénero, mas não é o primeiro político. Em 2016 (ano em que a Itália reconheceu o casamento entre pessoas do mesmo sexo), Vladimir Luxuria, um ator e ativista dos direitos dos homossexuais, foi eleito para o parlamento. Conquistas que podem estar em causa com Salvini no poder, que é assumidamente contra o casamento gay.

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