Resgate na Tailândia vai dar origem a filme de Hollywood

Também a gruta Tham Luang, onde os 13 jovens ficaram presos durante mais de duas semanas, será transformado num museu

A história dos 12 rapazes tailandeses e do treinador de futebol que ficaram presos na gruta Tham Luang, na Tailândia, durante mais de duas semanas, emocionou o mundo. E, segundo a BBC , irá ser transformada num filme de Hollywood.

A imprensa norte-americana até já aponta um nome, Jon M Chu, para realizador da película. O californiano assinou êxitos como a saga Step Up , G.I Joe e Mestres da Ilusão 2 .

Mas o plano está já a levantar controvérsia, sobretudo junto de tailandeses que não veem com bons olhos a possibilidade de o elenco ser integrado por estrelas de cinema, naquilo a que chamam de "white washing"; ou seja, a minimização do papel dos tailandeses na história.

Vários tweets de preocupação e de indignação têm sido publicados na rede social.

Através do Twitter, o realizador fez questão de falar sobre a polémica e deixou uma mensagem às vozes que acusam Hollywood de "white washing" prometendo honrar a memória de todos os elementos da marinha Tailandesa que participaram na operação de busca e resgate.

"De maneira nenhuma. Não enquanto nós madarmos. Isso não vai acontecer ou vamos fazer-lhes a vida num inferno. Esta é uma bela história sobre seres humanos que salvam outros seres humanos. Qualquer pessoa que pense adaptar esta história deve abordá-la de maneira correta e respeitosa."

Antes mesmo de as 13 pessoas terem sido salvas, o estúdio norte-americano Pure Flix Entertainment - que produz filmes cristãos - anunciou que os produtores estavam no local com o intuito de adquirir os direitos da história para a realização de um filme.

O grupo preso na Tailândia já foi resgatado da caverna e recupera agora no hospital, onde vai ficar uma semana de quarentena.

Os 12 meninos, com idades compreendidas entre os 11 e os 16 anos, e o treinador de futebol entraram na caverna a 23 de junho, depois de um treino de futebol, mas acabaram surpreendidos quando a chuva fez inundar a gruta.

Foram encontrados por mergulhadores britânicos nove dias depois e foram resgatados em três dias de operação, a qual envolveu dezenas de mergulhadores e uma centena de outros operacionais.

O museu Tham Luang

Também o complexo de grutas Tham Luang, um dos maiores da Tailândia, ficou no centro das atenções com este drama. Fica sob as montanhas ao perto da pequena cidade de Mae Sai, no norte da província de Chiang Rai, na fronteira com Myanmar (Birmânia).

A área é em grande parte subdesenvolvida, com poucas instalações turísticas. Facto que pode agora mudar, segundo a BBC.

"A área irá ser um museu vivo, para mostrar como a operação se desenrolou", disse Narongsak Osottanakorn, ex-governador e chefe da missão de resgate. "Será criada uma base de dados interativa. A gruta irá ser outra grande atração na Tailândia."

Resta saber se quem descer no passeio não corre o risco de lá ficar, como os 13 jovens. O primeiro-ministro tailandês Prayuth Chan-ocha mostrou a mesma precaução e assegurou que teriam de ser implementados, dentro e fora da caverna, meios para proteger os turistas.

Uma das medidas de segurança poderá passar por não abrir o Museu durante a estação das monções, que vai de junho a outubro.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Bernardo Pires de Lima

Os europeus ao espelho

O novo equilíbrio no Congresso despertou em Trump reações acossadas, com a imprensa e a investigação ao conluio com o Kremlin como alvos prioritários. Na Europa, houve quem validasse a mesma prática. Do lado democrata, o oxigénio eleitoral obriga agora o partido a encontrar soluções à altura do desafio em 2020, evitando a demagogia da sua ala esquerda. Mais uma vez, na Europa, há quem esteja a seguir a receita com atenção.

Premium

Rogério Casanova

O fantasma na linha de produção

Tal como o desejo erótico, o medo é uma daquelas emoções universais que se fragmenta em inúmeras idiossincrasias no ponto de chegada. Além de ser contextual, depende também muito da maneira como um elemento exterior interage com o nosso repositório pessoal de fobias e atavismos. Isto, pelo menos, em teoria. Na prática (a prática, para este efeito, é definida pelo somatório de explorações ficcionais do "medo" no pequeno e no grande ecrã), a coisa mais assustadora do mundo é aparentemente uma figura feminina magra, de cabelos compridos e desgrenhados, a cambalear aos solavancos na direcção da câmara. Pode parecer redutor, mas as provas acumuladas não enganam: desde que foi popularizada pelo filme Ring em 1998, esta aparição específica marca o ponto em filmes e séries ocidentais com tamanha regularidade que já se tornou uma presença familiar, tão reconfortante como um peluche de infância. É possível que seja a exportação japonesa mais bem-sucedida desde o Toyota Corolla e o circuito integrado.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Adeus, futuro. O fim da intimidade

Pelo facto de dormir no quarto da minha irmã (quase cinco anos mais velha do que eu), tiveram de explicar-me muito cedo por que diabo não a levavam ao hospital (nem sequer ao médico) quando ela gania de tempos a tempos com dores de barriga. Efectivamente, devia ser muito miúda quando a minha mãe me ensinou, entre outras coisas, aquela palavra comprida e feia - "menstruação" - que separava uma simples miúda de uma "mulherzinha" (e nada podia ser mais assustador). Mas tão depressa ma fez ouvir com todas as sílabas como me ordenou que a calasse, porque dizia respeito a um assunto íntimo que não era suposto entrar em conversas, muito menos se fossem com rapazes. (E até me lembro de ter levado uma sapatada na semana seguinte por estar a dizer ao meu irmão para que servia uma embalagem de Modess que ele vira no armário da casa de banho.)