Monges budistas trazem "energia holística" ao salvamento

Dois monges budistas atravessaram a fronteira de Myanmar para a Tailândia para se aproximarem o mais possível da gruta onde estão as crianças para "enviar energia positiva"

Vestidos com as túnicas de cor açafrão, descalços e com a cabeça e as sobrancelhas raspadas, no meio da estrada, à mercê da chuva que se abateu desde a madrugada de hoje, Phaecswoo Chat e o companheiro de viagem não passam despercebidos.

Tentaram aproximar-se o mais possível da gruta na zona montanhosa de Doi Nang Non, isolada desde domingo pelas autoridades tailandesas, mas ficaram a quase dois quilómetros do local.

O suficiente, garantiu um dos budistas, Phaecswoo Chat, para "enviar energia positiva, holística, que liga todos no mundo".

Sensibilizados pelo drama que se vive em Mae Sai e que é seguido pelos 'media' de todos os continentes desde 23 de junho, os dois monges fizeram uma inflexão numa viagem que já tinha passado por países como a Índia, Laos, Camboja, China e, por último, Myanmar (antiga Birmânia).

Phaecswoo Chat é natural da Índia e aquele que melhor consegue articular algumas palavras em inglês.

O monge disse estar convicto de que as práticas budistas, como a meditação, tiveram um papel decisivo na sobrevivência do grupo que se encontra numa complexa rede subterrânea há mais de 15 dias, nove dos quais sem acesso a água e alimentação.

"Bastam dois, três, quatro, cinco minutos e os problemas desaparecem e eles [as crianças e o treinador] acalmam", argumentou, antes de retomarem o caminho sob a chuva que, no terreno, estará a dificultar a missão de salvamento, no terceiro dia das operações de resgate.

O treinador de futebol, que está ainda bloqueado numa gruta em Mae Sai, Tailândia, com mais quatro crianças, deverá ser o último a ser resgatado, de acordo com as últimas informações tornadas públicas pelas autoridades.

O treinador Ekapol Chanthawong, de 25 anos, foi um monge budista durante uma década e, de acordo com várias publicações e agências noticiosas, tem ensinado as crianças a meditar, não só para assegurar que se mantenham calmas, mas também que reservem as energias numa situação extrema que dura há mais de duas semanas.

Quando a equipa de mergulhadores britânica encontrou os jovens, estes estariam a meditar, num exercício que tem ajudado a acalmar as crianças desde 23 de junho, quando foram surpreendidas pela inundação parcial do complexo subterrâneo montanhoso Doi Nang Non..

Depois do sucesso de segunda-feira, que eleva para oito o número de crianças que estão já a receber tratamento hospitalar em Chiang Rai, capital da província, o líder da célula de crise salientou a maior rapidez da operação, que necessitou de menos duas horas do que o primeiro resgate.

"Pensamos que podemos fazer melhor hoje e resgatar as nove pessoas que estão na gruta", as quatro crianças, o treinador, o médico e três mergulhadores da marinha tailandesa, disse Narongsak Osottanakorn na última conferência de imprensa que terminou às 12:00 (06:00 em Lisboa).

A chuva está a marcar a madrugada e o dia em Mae Sai, cidade da província de Chiang Rai, norte da Tailândia, dificultando a operação de resgate final que já está em execução.

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