Primeira-ministra anuncia gravidez. "Não sou a primeira mulher que trabalha e tem um bebé"

Jacinda Ardern anunciou que será o pai da criança a ficar em casa

A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, anunciou, esta sexta-feira, que ela e o companheiro, Clarke Gayford, esperam o primeiro filho no mês de junho.

De acordo com a CNN, a chefe do governo neozelandesa, de 37 anos, comunicou a notícia aos jornalistas esta manhã, em frente à sua casa, revelando que se irá ausentar do trabalho apenas durante seis semanas, mas que estará "sempre contactável".

"Não sou a primeira mulher multitask, não sou a primeira mulher que trabalha e tem um bebé, sei que são circunstâncias especiais, mas haverá muitas mulheres que terão feito isso muito [tempo] antes de mim", disse Ardern.

A primeira-ministra acrescentou ainda que Gayford ficará a cuidar da criança a tempo inteiro: "Clarke e eu temos o privilégio de estar numa posição em que o Clarke pode ficar em casa (...). Sabendo que tantos pais têm de fazer malabarismo para cuidar dos seus filhos, consideramo-nos muito sortudos", disse.

"Estamos os dois realmente felizes. Queríamos uma família, mas não sabíamos se podíamos, o que torna esta notícia inesperada, mas emocionante", disse Ardern, num comunicado também em nome do companheiro, Clarke Gayford.

"E pensámos nós que 2017 foi um grande ano!", escreveu a primeira-ministra no Facebook.

Jacinda Ardern contou também que descobriu que estava grávida apenas seis dias antes da sua eleição e que a notícia foi "100% uma surpresa".

O casal terá decidido manter o silêncio, tal "como muitos casais fazem no estágio inicial, guardamos isso para nós mesmos", revelou.

Jacinda Ardern explicou que o vice-primeiro-ministro, Winston Peters, vai substitui-la durante as seis semanas de licença de maternidade, que gozará após o nascimento do bebé.

Apesar de emocionada pelo futuro papel de mãe, Ardern disse "continuar empenhada no seu trabalho e na responsabilidade como primeira-ministra".

Jacinta Ardern foi a mulher mais nova a ser eleita chefe de governo e durante a campanha para as legislativas, que a levaram ao poder em outubro, poucos meses depois de assumir a liderança do Partido Trabalhista, Ardern esteve no centro de uma polémica sexista, ao ser questionada sobre as consequências de uma eventual maternidade.

"É totalmente inaceitável considerar em 2017 que as mulheres devem responder a esta questão", respondeu então Jacinda Ardern. "A escolha do momento para ter filhos pertence às mulheres. Isso não deve determinar poder ou não conseguir um emprego".

A política disse não duvidar "que os tempos mudaram", permitindo às mulheres desempenharem vários papéis.

"Muitas mulheres abriram caminho pouco a pouco e permitiram que as pessoas me vejam a exercer o poder e pensar 'sim, ela pode fazer o trabalho e ser mãe'", sublinhou hoje a primeira-ministra.

A primeira-ministra trabalhista assumiu o cargo em outubro passado, ao concluir um acordo de Governo com os verdes e um partido nacionalista, na sequência das eleições de setembro que puseram fim a nove anos de poder dos conservadores.

A primeira-ministra da Nova Zelândia é a segunda mulher chefe de governo a dar à luz enquanto está em funções - em 1990, Benazir Bhutto deu à luz uma filha enquanto era primeira-ministra do Paquistão - mas é a primeira a fazê-lo em quase trinta anos.

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